Eleições 2026

Plano de segurança de Haddad traz pontos fundamentais, mas desafio é gestão, diz especialista

Coordenadora do Instituto Sou da Paz analisa propostas e reforça urgência de integrar polícia, saúde e serviço social

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O ministro da Fazenda Fernando Haddad
O ministro da Fazenda Fernando Haddad | Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

A segurança pública continua sendo uma das maiores preocupações do eleitor. O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), apresentou as propostas para a área no início da semana. Batizado de “SP que protege”, o programa tem, entre suas propostas, o uso de inteligência artificial (IA) para prevenção e investigação de crimes, a criação de um “placar da segurança”, que contará com a divulgação trimestral de dados, e uma agência estadual antifacção para integrar órgãos estaduais e federais no combate ao crime organizado.

Seu principal oponente, o atual governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve fazer a divulgação até sábado (15).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Cristina Neme, coordenadora de projetos do Instituto Sou da Paz, avalia que o uso da inteligência e da tecnologia, contemplados pelo plano de Haddad, são fundamentais e que alguns desses dispositivos já existem no estado. O desafio, segundo Neme, está na gestão desses processos. “A gente precisa integrar os recursos humanos, as agências policiais e outros serviços que contribuem para o bom funcionamento dessas tecnologias. Esse é o desafio dos novos governantes. E tendo o cuidado de preservar o cidadão no uso dessa tecnologia, respeitando a LGPD, por exemplo”, avalia.

Haddad também dá destaque em seu plano ao combate à violência contra a mulher, proteção de crianças e adolescentes e também idosos. Cristina Neme avalia que, diante do aumento de casos de feminicídio no estado, de 10% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano anterior, a perspectiva de gênero precisa ser amplificada em um plano de governo. “Esse tema cresceu muito, mas a gente precisa fortalecer os equipamentos e recursos já existentes. Precisamos de um olhar integrado da saúde, segurança pública e assistência social. Por exemplo, a discussão das delegacias especializadas em diferentes cidades, com funcionamento 24 horas, ainda não foi respondida”, aponta.

Com relação à proposta da criação da Agência Estadual Antifacção, Neme considera fundamental que essa proposta esteja formalizada no plano de governo, já que essa é uma das questões de mais complexa resolução. “O Estado tem que ganhar protagonismo na integração das agências policiais e de inteligência. Há bons exemplos de cooperação com operações policiais, que não envolveram violência, nem tiroteio, e desbarataram o que envolve essa economia ilegal”, ilustra, além de reforçar a necessidade de enfrentar o tráfico de armas no estado, fortalecendo mecanismos de controle de circulação.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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