Crise no transporte

Descarrilamentos seguidos na Linha 8-Diamante escancaram riscos da privatização, diz sindicato

Para diretor do Sindicato dos Ferroviários, lucro das empresas é priorizado em detrimento da segurança de usuários

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Linha 8 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos - CPTM, operada pela ViaMobilidade, na estação Domingos de Moraes.
Linha 8 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM, operada pela ViaMobilidade, na estação Domingos de Moraes | Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

Um trem da Linha 8-Diamante (Júlio Prestes-Itapevi), administrada pela concessionária ViaMobilidade, descarrilou na tarde desta sexta-feira (14) entre as estações Osasco e Comandante Sampaio, na Grande São Paulo. O incidente ocorreu por volta das 17h15 e foi o segundo registrado na mesma linha, em menos de 24 horas.

De acordo com Luiz Barbosa Neto Júnior, o Júnior LBN, diretor-executivo do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, os descarrilamentos em série são sintomas de uma “falha crônica de manutenção”.

Para o sindicalista, o modelo de concessão adotado pelo governo estadual beneficia as empresas em detrimento dos usuários, acumulando, segundo ele, “mais de 79 processos em apuração desde 2024”, por conta de falhas e outros problemas.

O descarrilamento desta sexta-feira não deixou feridos, mas obrigou centenas de passageiros a desembarcarem dos vagões e caminharem sobre os trilhos até a estação mais próxima.

Imagens gravadas por usuários mostram pessoas seguindo pela via férrea, o que, segundo Júnior LBN, configura um grave risco à vida e pode ser considerado “crime de perigo” pelo Código Penal, por expor a população a risco à vida, especialmente com a circulação de outros trens no local.

A operação das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda (Varginha-Osasco) sofreu atrasos e teve maiores intervalos até a normalização da situação, que ocorreu por volta das 18h30. Na quinta-feira (13), outro descarrilamento já havia afetado a linha nas proximidades da Estação Júlio Prestes, no centro da capital, causando o fechamento temporário da parada para manutenção.

Em nota, a ViaMobilidade informou que suas equipes atuaram para retomar a operação em via auxiliar e que não houve registro de feridos. Já a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) pediu um relatório técnico urgente para a concessionária e afirmou que poderá aplicar multas que variam entre R$ 40 mil e R$ 4 milhões.

Para o Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, a fiscalização ocorre apenas após o caos instalado e não há um acompanhamento efetivo por parte da Artesp e do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Júnior LBN critica a continuidade da política de privatizações, citando que falhas graves também foram registradas recentemente nas linhas 11, 12 e 13, que chegaram a sofrer intervenção estatal para consertos emergenciais, devolvendo a operação para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

“Vão esperar morrer pessoas para querer fazer alguma coisa”, afirma.

Editado por: Rodrigo Gomes

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