A Companhia Circo Godot de Teatro inicia neste fim de semana, no Museu Cais do Sertão, no Recife, a circulação do espetáculo “Circo Godot”, que será apresentado no domingo (16), às 17 horas, com entrada gratuita. A programação começou neste sábado (15), com a oficina “Por Nada se Espera”, também gratuita, na sala Caixa de Poesia. A temporada passa por dez municípios pernambucanos, do Litoral ao Sertão, e combina apresentações, atividades formativas e conversas com o público sobre cultura de paz. A programação também conta com recursos de acessibilidade.
Comandado pelos artistas Asaías Rodrigues e Charles de Lima, o espetáculo coloca em cena os bufões Gatropo e Tropino, personagens que estabelecem entre si uma relação marcada por hierarquia, exploração e disputa de poder. A partir de números circenses, teatro físico e elementos de comédia, a montagem aborda as relações entre quem ocupa a posição de opressor e quem está submetido a ela.
Na história, Gatropo assume o papel de chefe, enquanto Tropino aparece como seu subordinado. Os dois vagam em busca de pessoas dispostas a assistir às suas apresentações e, entre situações absurdas e números circenses, expõem os conflitos da relação entre mando e obediência. A dinâmica dos personagens conduz a montagem por uma atmosfera próxima da comédia pastelão, ao mesmo tempo em que provoca reflexões sobre relações de poder.
Depois de passar pelo Recife, a companhia segue para Goiana, Glória do Goitá, Pesqueira, Caruaru, Afogados da Ingazeira, Buíque, Arcoverde, Triunfo e Serra Talhada. Em cada município, além da apresentação, serão realizadas atividades de formação e um bate-papo com o público sobre Cultura de Paz.
Para o diretor e autor do espetáculo, Quiercles Santana, a circulação também representa uma oportunidade de transformar a própria montagem a partir do contato com diferentes comunidades. “O circo carrega em si o nomadismo e a capacidade de falar diretamente ao coração do povo. Encontrar diferentes plateias transforma e ressignifica a própria cena: cada praça ou palco ganha contornos únicos a partir do olhar, do riso e da sensibilidade de cada comunidade local”, afirma.
Antes da apresentação no Recife, a companhia promoveu a oficina “Por Nada se Espera”, no sábado (15), também no Museu Cais do Sertão. A formação partiu da pesquisa desenvolvida pela companhia, que reúne teatro físico, habilidades circenses e formas animadas. Durante o encontro, os participantes entraram em contato com técnicas circenses, exercícios relacionados ao estado de presença e ferramentas destinadas ao treinamento de atores e atrizes.
Com 16 anos de trajetória, a Companhia Circo Godot de Teatro foi criada no Recife pelos artistas pernambucanos Asaías Rodrigues, Quiercles Santana e Andrezza Alves, em parceria com o artista circense italiano Damiano Massaccesi. Atualmente, a equipe reúne Quiercles Santana, responsável pelo texto e direção, Asaías Rodrigues, Charles de Lima, que atua como artista circense, cenógrafo e figurinista, Juan Saucedo, na produção executiva, e Luciana Raposo, na iluminação.
A circulação “Circo Godot, do Cais ao Sertão” é realizada com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, e tem patrocínio da UNINASSAU. Mais informações: @ciacircogodotdeteatro e [email protected]
