A exposição “Quarto Subversivo”, da artista Leniée Campos Maia, será inaugurada neste sábado (15), às 18 horas, no Hub de Arte Há Nexos (Rua da Moeda, nº 71, Bairro do Recife), do Coletivo Raiz. Com curadoria de Zélito Passavante, a mostra reúne fotografias e outras composições visuais produzidas a partir das experiências vividas durante o período de isolamento social e permanece aberta à visitação até 30 de agosto, de quarta-feira a domingo, das 14h às 17h, com entrada gratuita.
A produção parte do ambiente doméstico para abordar questões como memória, confinamento, silêncio, corpo e resistência. Nas obras, a artista utiliza principalmente as cores preto, branco e vermelho para construir imagens que não pretendem apenas registrar o período de isolamento, mas elaborar, por meio da fotografia, as sensações e experiências provocadas por aquele momento.
“O quarto deixou de ser apenas um espaço físico para tornar-se um território de imaginação, memória e resistência, onde a fotografia me permitiu elaborar aquilo que as palavras nem sempre conseguiam dizer”, afirma Leniée Campos Maia.
A exposição também dialoga com a trajetória profissional da artista, que reúne experiências nas áreas da medicina, fotografia, docência e arteterapia. Médica patologista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Leniée é idealizadora do Programa MAIS, Manifestações de Arte Integradas à Saúde, desenvolvido no Hospital das Clínicas da universidade.
Por meio da iniciativa, a artista trabalhou com diferentes linguagens, como música, teatro, circo, artes visuais e contação de histórias, inclusive em ambientes de terapia intensiva. Essa aproximação entre arte e cuidado também atravessa a pesquisa desenvolvida em “Quarto Subversivo”, que utiliza a fotografia como instrumento para abordar experiências humanas relacionadas à vulnerabilidade e à suspensão.
Em vez de apresentar uma narrativa documental sobre o período da pandemia, as imagens elaboram estados subjetivos associados ao confinamento. A memória aparece como lembrança de um acontecimento coletivo e também como matéria para a construção de novas formas de olhar e significar a experiência.
Para o curador Zélito Passavante, a proposta é fazer com que o público se envolva com as marcas deixadas por aquele período. “Visitar Quarto Subversivo é atravessar, pela imagem, as marcas sensíveis de um tempo de suspensão e reconhecer, na arte, uma forma de elaborar a experiência do isolamento e da vulnerabilidade.”
Com projeto gráfico de André Luiz Santana, a mostra ocupa o Hub de Arte Há Nexos, espaço do Coletivo Raiz, no Recife Antigo. A visitação segue até 30 de agosto, sempre de quarta-feira a domingo, das 14h às 17h.
