Um levantamento feito pelo Brasil de Fato mostra que, de um universo de 195 candidaturas lançadas aos governos estaduais no pleito deste ano, apenas 32 são de mulheres, o que equivale a escassos 16,4% do total de concorrentes ao Poder Executivo nos estados. No Brasil, as mulheres representam 52,8% do eleitorado.
Uma análise esmiuçada do perfil dessas postulantes mostra que a distribuição ideológica traz um dado marcante: 17 das 32 candidatas (53,1%) estão filiadas a partidos de esquerda, sendo 12 na UP. No entanto, há uma ausência de peso no grupo, já que o Partido dos Trabalhadores (PT) não lançou nenhuma mulher como cabeça de chapa na disputa pelos governos estaduais nesta eleição.
No recorte racial, a desigualdade é igualmente evidente. Das 32 concorrentes ao comando dos estados, apenas 12 são negras, declaradas pretas ou pardas, evidenciando a dupla barreira de gênero e raça enfrentada por lideranças populares para acessar candidaturas majoritárias.
Competitividade prejudicada
Para além do número reduzido de chapas encabeçadas por mulheres, outro obstáculo central é o afunilamento da competitividade nas urnas. A maioria das 32 candidatas integra legendas de menor porte, sem tempo expressivo de rádio e TV ou grandes fundos partidários, pontuando muito pouco ou sequer figurando nas pesquisas de intenção de voto.
Na prática, o grupo de candidatas com real viabilidade eleitoral e apelo de massa restringe-se a apenas oito nomes espalhados pelo país. Integram essa lista de maior competitividade Celina Leão (PP) no Distrito Federal, Maria do Carmo (PL) no Amazonas, Natasha Slhessarenko (PSD) no Mato Grosso, Professora Dorinha (União Brasil) no Tocantins, Hana Gassan (MDB) no Pará, Juliana Brizola (PDT) no Rio Grande do Sul, Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco e Mailza Assis (PP) no Acre.
Geograficamente, o estado de São Paulo lidera o ranking com a maior quantidade de mulheres na corrida pelo palácio estadual, reunindo ao todo quatro candidatas: Vivian Mendes, pela UP; Vera Lúcia, pelo PSTU; Izadora Dias, pelo PCO; e Edjane Lima, pelo Agir. Nenhuma delas ultrapassou 2% nas pesquisas eleitorais.
