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Eleição brasileira será internacional e precisamos estar preparados para isso, avalia analista

Amanda Harumy avalia que o governo Trump mobiliza aliados na América Latina para frear a perda de hegemonia na região

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O presidente Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Crédito: Jim Watson/AFP

O tensionamento diplomático entre Estados Unidos e Brasil e a proximidade das eleições presidenciais colocaram no debate público o desejo de ingerência do governo Donald Trump. Segundo a pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (17), 48% dos entrevistados não acreditam na possibilidade de países estrangeiros interferirem nas eleições brasileiras em 2026, e 45% acreditam.

A analista internacional Amanda Harumy avalia que seria ingenuidade não compreender que há uma intencionalidade cada vez mais clara por parte dos EUA de influenciar o resultado das eleições brasileiras. Nesse sentido, continua a especialista, a democracia brasileira tem que se mostrar forte. “A estratégia dos Estados Unidos é transformar a América Latina numa região de influência, e a eleição do Brasil será determinante para os Estados Unidos terem acesso às nossas riquezas”, afirma.

Harumy reforça que, muito além dos EUA, países latino-americanos que estão alinhados a Trump têm se articulado por meio do Escudo das Américas para desestabilizar as eleições. “É um momento de muita atenção, mas numa perspectiva de médio e longo prazo. Fica explícito que a influência dos Estados Unidos como hegemonia, como potência, está cada vez menor. É por isso que os Estados Unidos são tão agressivos. Essa será uma eleição internacional e nós precisamos estar preparados para essa disputa”, resume.

A articulação de países alinhados aos EUA tem tido provas práticas. Uma delas foi o episódio do terremoto que atingiu a Colômbia na semana passada. O presidente Abelardo de la Espriella só aceitou ajuda de Israel e do governo Trump, evidenciando esse viés ideológico mesmo em um momento de auxílio humanitário. “Fica explícito que a extrema direita não valida essa perspectiva da vida humana. Perante uma tragédia natural, essa ajuda humanitária foi bloqueada. O próprio México, um país que tem muita capacidade para enviar ajuda, não foi reconhecido, não foi criado o canal diplomático para isso”, avalia Amanda Harumy.

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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