Uma brigada de cerca de 30 jovens de nove países da América Latina foi recebida em Caracas (Venezuela) nesta segunda-feira (17) para uma visita de mais de dez dias ao país. A atividade é organizada pela Alba Movimentos.
Entre os dias 15 e 26 de agosto de 2026, militantes do Brasil, Argentina, Colômbia, México, Guatemala, El Salvador, Honduras, Chile e Panamá vão realizar vivências em comunas socialistas e nos abrigos transitórios de vítimas do duplo terremoto do último dia 24 de junho, além de visitar os locais atingidos pelo bombardeio estadunidense do dia 3 de janeiro. O grupo também vai realizar trabalhos voluntários, atividades culturais e ações de plantio de árvores.
“Fidel [Castro] e [Hugo] Chávez, há mais de 20 anos, pensaram a ALBA como uma alternativa ao projeto neoliberal que nos queria impor o imperialismo. Hoje, o projeto que o imperialismo nos quer impor vai além do neoliberalismo. É o projeto da morte, é o arrasar com todos os recursos. O projeto machista, o projeto capitalista, o projeto do racismo, do supremacismo, é o projeto de menos de 1% que é branco, que é elite e que controla todo o planeta. É um projeto que vai contra a vida de nossos povos. Por isso, é fundamental que a ALBA então levante essas bandeiras”, disse Hernán Vargas, militante do movimento de moradia e representante da seção venezuelana da ALBA Movimentos.
De acordo com os internacionalistas, a tarefa fundamental é construir uma unidade contra as pressões externas e em defesa da soberania.
As brigadas de solidariedade têm permanecido ativas, sobretudo após a agressão militar dos Estados Unidos e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, a deputada nacional Cília Flores. Os trabalhos intensificaram-se depois do duplo terremoto que matou mais de 6 mil pessoas e deixou cerca de 23 mil desabrigados. Além do apoio material, a brigada foca na formação política dos participantes sobre a história da revolução bolivariana e os desafios atuais da geopolítica regional.
“Realmente, o que eu mais desejava era conhecer aqui o que aconteceu com Nicolás Maduro e sua esposa. Depois, o tema dos terremotos, como puderam superar essa situação e até hoje, no segundo dia, já temos bastante contexto do que na realidade aconteceu e como eles superaram, porque os meios de comunicação internacionais nos dizem outras coisas ou falam de maneira depreciativa da realidade da Venezuela”, diz ao Brasil de Fato a jovem hondurenha Sinia Esperanza Rápalo Rivera, integrante do Movimento Estudantil Revolucionário Lorenzo Zelaya.
“Estamos aqui para adquirir o conhecimento a partir do estudo, compartilhamento com os outros companheiros dos outros países. Mas realmente viemos em uma brigada humanitária, nos solidarizarmos com o povo da Venezuela, com os afetados que estão nestes momentos e fazer o maior esforço para prestar solidariedade ao povo venezuelano”, afirma o sindicalista panamenho Marco Moreno, dirigente do Sindicato Único Nacional de Trabalhadores da Indústria da Construção do Panamá.
MST presente
Entre os movimentos sociais latino-americanos presentes, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) representa o Brasil. Vittória Paz explica que, há mais de 20 anos, o MST tem acompanhado o povo venezuelano em seu processo revolucionário. Para ela, é momento de aprofundar as ações de defesa da autodeterminação e da soberania do país sul-americano.
“Nós aqui estamos há 20 anos com a revolução bolivariana. Em todos os momentos de dificuldade, nos nossos e nos deles, tivemos uma relação muito bonita de solidariedade, de irmandade entre a revolução e o nosso movimento. E agora que a conjuntura nos pede mais uma vez ações concretas de solidariedade, que nos pede mais uma vez demonstração de apoio muito forte, acho que o nosso papel é o de seguir apoiando, de seguir escutando o povo da Venezuela, de seguir escutando o que querem, o que pedem e defendendo para fora que a revolução segue de pé para combater a narrativa nefasta que existe da extrema direita de que não há mais revolução, de que a revolução foi derrotada, porque não foi”, contesta a militante.
“Sequestraram o presidente, a primeira-dama, e nós estamos aqui para dizer que os queremos de volta. Segue de pé, o povo segue nas comunas, o povo segue lutando e nós seguiremos, nós do MST seguiremos ao lado deles”, completa.
