O PT chega ao início oficial da campanha eleitoral de 2026 com uma estratégia de alianças mais ampla nos estados. Embora tenha lançado candidaturas próprias aos governos em 12 unidades da federação, o partido também construiu palanques com siglas de lolololoiucentro-direita, ampliando o arco político em torno da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O desenho das alianças foi apresentado pela direção nacional do partido como um dos principais resultados da fase de convenções. Segundo o material divulgado pelo PT, os palanques estaduais incorporam, além do campo democrático e popular, partidos mais ao centro do espectro ideológico. PSD, PSB, MDB, PDT, PP e União Brasil aparecem entre as legendas que compõem alianças estaduais, enquanto o PSOL também integra uma das chapas.
A estratégia dá ao PT uma presença mais diversificada nas disputas pelos governos estaduais. Lula terá palanques próprios nos estados da Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo. Em outras unidades, o partido apoiará nomes de aliados, como Renan Filho (MDB), em Alagoas; Omar Aziz (PSD), no Amazonas; Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro; João Campos (PSB), em Pernambuco; e Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe.
Para o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o desenho representa um avanço na construção de alianças em torno de Lula. “Nós nunca tivemos uma composição partidária que conseguisse agregar todos os partidos de centro-esquerda no Brasil. Conseguimos, são sete partidos, o que foi um movimento muito importante para nós”, afirmou. Segundo ele, o arco construído nacionalmente também ganhou capilaridade nos estados e foi ampliado para além das legendas que integram a aliança presidencial.
A estratégia se repete na disputa pelo Senado. O PT apresenta 19 candidaturas próprias ou integradas a chapas e mantém acordos com nove partidos em 18 estados. Entre os aliados estão MDB, PSB, PSD, PSOL, PV, Rede, Solidariedade, PDT e União Brasil. Como dois terços das cadeiras do Senado serão renovados neste ano, a disputa pela Casa se torna um dos principais focos da articulação política da campanha.
O mapa eleitoral mostra como a estratégia de Lula procura combinar diferentes forças políticas. Em Pernambuco, por exemplo, o PT apoia João Campos (PSB) ao governo e mantém Humberto Costa (PT) na disputa pelo Senado. Em São Paulo, a chapa reúne Fernando Haddad (PT) para o governo e Márcio França (PSB) como vice. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) encabeça a chapa apoiada pelo campo lulista, enquanto Benedita da Silva (PT) disputa uma vaga ao Senado.
A construção também mira o segundo turno, mas a avaliação da direção petista é de que a disputa pela ampliação do campo democrático começa já na primeira etapa da eleição. Edinho Silva afirmou que o partido pretende conversar com forças democráticas, independentemente das posições adotadas anteriormente, com o objetivo de reunir diferentes setores em torno da candidatura de Lula contra o que classificou como forças autoritárias e de inspiração fascista.
Para Edinho, a expansão das alianças estaduais também reflete a força política do presidente. “O presidente Lula amplia muito a política de aliança nos estados, o que mostra a força da sua liderança, a força da sua candidatura e a força do seu governo”, afirmou. Na avaliação do dirigente, a presença de programas e obras do governo federal nos estados ajuda a explicar a capacidade de construção de acordos regionais.
O desafio, agora, será transformar essa capilaridade política em vantagem eleitoral. Com alianças que atravessam diferentes espectros ideológicos, o PT aposta na força de Lula nos estados para manter uma rede de apoio capaz de sustentar a candidatura presidencial e, ao mesmo tempo, ampliar sua presença nos governos estaduais, no Senado e na Câmara dos Deputados.
A direção do partido também tenta conciliar a campanha com a agenda presidencial. Lula iniciou oficialmente a corrida eleitoral, mas, segundo Edinho, continuará priorizando as atividades como chefe do Executivo. As agendas de campanha serão definidas semana a semana, de acordo com a disponibilidade do presidente e com as necessidades eleitorais de cada estado.
