Nesta segunda-feira (17), começou a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação, chamada COP17, na Mongólia. A ideia é debater ações para combater a seca, restaurar alguns ecossistemas, garantir acesso universal à água e aos alimentos e valorizar povos e territórios tradicionais.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Carlos Magno, coordenador executivo do Centro Sabiá, conta que apesar das siglas iguais, existem três conferências sobre questões ambientais que foram definidas em 1992, no Rio de Janeiro: a COP do clima, a COP da desertificação e a COP da biodiversidade.
A COP da Desertificação acontece a cada dois anos e seus objetivos são diferentes das outras, como explica Magno, que resume dizendo que uma olha para o céu, para a atmosfera, enquanto a outra olha para o chão. “Na desertificação, a porta de entrada é outra, é a dimensão da Terra, enquanto um recurso natural e renovável. Então, a gente tem discutido essa degradação dos solos, essa perspectiva da desertificação, da restauração, da água. Está tudo relacionado à perspectiva da terra. Às vezes tem uma diferença quando as pessoas falam em desertificação, depois falam em seca. A desertificação não é a seca. A seca é um processo mais natural. A desertificação é um processo de degradação realmente das terras”, aponta.
Magno explica que a conferência também busca desmistificar alguns estereótipos climáticos. “A desertificação não está só no Nordeste semiárido, mas já tem pedaços de áreas desertificadas em outros territórios. Tem na divisa com a Bolívia. Ou seja, você tem áreas que já começam no processo de desertificação. As áreas desertificadas estão sobre o bioma, sobre o clima semiárido, árido, semiárido e subúmido. O Nordeste brasileiro é semiárido. Desde 24 de novembro, apareceu uma mancha na Bahia de clima árido. Essa é a primeira vez que foi detectado esse clima árido na nossa região. Isso permite conectar agendas que muitas vezes são discutidas separadamente”, defende Carlos Magno.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
