A conta não fecha

Bancários do DF aderem à paralisação nacional nesta quinta (20) por reajuste unificado

Categoria rejeita reajustes por faixas salariais; mobilização de 24 horas foi aprovada em assembleia

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Assembleia dos bancários do DF aprovou adesão à paralisação nacional de 24 horas marcada para quinta-feira (20)
Assembleia dos bancários do DF aprovou adesão à paralisação nacional de 24 horas marcada para quinta-feira (20) | Crédito: Ana Bering

Bancários do Distrito Federal se preparam para aderir à paralisação nacional de 24 horas marcada para esta quinta-feira (20), após a categoria rejeitar a proposta de reajuste escalonado apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O Sindicato dos Bancários de Brasília publicou nesta terça-feira (18) o aviso de greve, formalizando a mobilização aprovada em assembleia.

No DF, a decisão foi tomada em Assembleia Geral realizada na noite desta segunda-feira (17). Ao todo, 89,67% dos participantes votaram a favor da paralisação, enquanto 97,61% rejeitaram o modelo de construção da proposta econômica para a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) apresentado pela Fenaban.

No aviso de greve, a organização comunica oficialmente às instituições financeiras, usuários dos serviços e à população que trabalhadores de instituições públicas e privadas deliberaram pela paralisação das atividades por 24 horas no dia 20 de agosto.

A decisão no Distrito Federal acompanha o resultado das assembleias realizadas em todo o país. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), 97% dos bancários e bancárias participantes rejeitaram a proposta de reajuste escalonado apresentada pela Fenaban.

Reivindicações da categoria

No centro do impasse está a proposta de reajuste escalonado apresentada pela Fenaban. O modelo prevê a divisão dos trabalhadores em três faixas salariais, com percentuais diferentes de reajuste.

A proposta é criticada pelas entidades representativas dos trabalhadores por romper com a lógica de reajuste unificado da categoria.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília e da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), Rodrigo Britto, afirmou que o modelo pode dividir os trabalhadores ao estabelecer reajustes distintos “fazendo com que a categoria tenha reajustes distintos, sem ao menos falar o índice”, criticou. Segundo o dirigente, a proposta “divide a unidade da categoria bancária”.

Outro ponto de divergência é o piso salarial de ingresso. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Brasília, a proposta da Fenaban prevê o congelamento desse valor. A justificativa apresentada pelos bancos, segundo a entidade, seria a existência de remunerações inferiores em fintechs e cooperativas de crédito.

Britto criticou o argumento. “A gente não pode se pautar por baixo. A gente tem que lutar para que esses tenham avanços”, afirmou.

Entre as reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários 2026 estão aumento real dos salários, valorização dos pisos, reajustes nos vales alimentação e refeição e na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), além da criação de um piso salarial para trabalhadores da área de tecnologia da informação.

Procurada pelo Brasil de Fato DF, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) afirmou que recebeu, em 24 de junho, a pauta de reivindicações da campanha salarial deste ano.

“As negociações seguem o cronograma estabelecido, e esperamos, ao longo desse processo, alcançar um entendimento satisfatório para ambas as partes”, informou a federação.

A Fenaban não respondeu aos questionamentos sobre as críticas ao modelo de reajuste por faixas salariais, o congelamento do piso de ingresso e a paralisação nacional aprovada pela categoria.

Mobilização nacional

A paralisação de quinta-feira (20) foi aprovada em assembleias realizadas por sindicatos de bancários em diferentes regiões do país.

Em meio à mobilização para a paralisação nacional, representantes dos trabalhadores e dos bancos seguem em negociação. Novas rodadas estão previstas para esta terça (18) e quarta (19).

Além da mesa geral da categoria, trabalhadores dos bancos públicos mantêm negociações específicas com as instituições. Na Caixa Econômica Federal, por exemplo, estão em discussão temas como Saúde Caixa, carreira, remuneração variável, condições de trabalho e emprego.

No Distrito Federal, o Sindicato dos Bancários de Brasília afirma que pretende ampliar a mobilização nos locais de trabalho até quinta-feira (20). A paralisação poderá ser revista caso as negociações avancem e os bancos apresentem propostas consideradas suficientes pela categoria.

O Brasil de Fato também procurou a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) para comentar as negociações e a mobilização dos empregados da Caixa, mas não obteve retorno até o fechamento da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.


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Editado por: Clivia Mesquita

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