O Irã se posicionou de maneira firme nesta segunda-feira (17): afirmou que manterá o Estreito de Ormuz fechado e que poderá seguir com o conflito até que os Estados Unidos aceitem os termos do acordo de paz.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o professor Ricardo Leães, pesquisador de Relações Internacionais, recordou a famosa máxima de que a guerra é a “continuação da política por outros meios”. A despeito do senso comum, a guerra não representa a destruição por si mesma. “Quando os estados consideram que não conseguem resolver disputa por meios diplomáticos, eles recorrem à guerra”, explica.
Nesse sentido, Leães avalia que o Irã tinha dois grandes objetivos quando os EUA decidiram desrespeitar as negociações em curso e iniciar o conflito bélico: o primeiro era sobreviver e o segundo era destruir a hegemonia militar estadunidense no Golfo Pérsico. “E quando falo em sobreviver, é sobre o governo continuar estabelecido e com controle sobre seu sistema militar, a população seguir vivendo apesar da guerra e que o país siga em condições de causar danos significativos ao seu adversário”, explica.
“Basicamente, a guerra correu de acordo com os interesses dos iranianos. A maior prova disso é o Estreito de Ormuz“, pontua, ao lembrar que, desde fevereiro, o canal é o maior elemento de barganha do conflito.
O professor observa que, diante desse cenário, o governo persa quer ir além dos dois objetivos principais que estão sendo atingidos. “Querem ganhar em termos geopolíticos, por isso exigem um cessar-fogo generalizado no Oriente Médio, que é, na verdade, uma maneira de frear as ambições colonialistas do Estado de Israel. Há quem diga que o Irã saiu de uma estratégia de sobrevivência para uma estratégia de ambição”, destaca.
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