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Da sobrevivência à ambição: como o Irã transformou a guerra com os EUA em trunfo geopolítico

Internacionalista analisa mudança de postura do governo iraniano, que passou de uma tática de sobrevivência à ambição

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In this picture obtained from Iran's ISNA news agency on May 4, 2026, the Iran-flagged tugboat Basim sails near a ship anchored in the Strait of Hormuz off Bandar Abbas in southern Iran. Iran's Revolutionary Guards on May 4 denied that any commercial ships had crossed the Strait of Hormuz, after the US military earlier said two US-flagged merchant vessels had transited through the vital waterway.
Embarcação de bandeira iraniana navega no Estreito de Ormuz | Crédito: Amirhossein Khorgooei/Isna/AFP

O Irã se posicionou de maneira firme nesta segunda-feira (17): afirmou que manterá o Estreito de Ormuz fechado e que poderá seguir com o conflito até que os Estados Unidos aceitem os termos do acordo de paz.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o professor Ricardo Leães, pesquisador de Relações Internacionais, recordou a famosa máxima de que a guerra é a “continuação da política por outros meios”. A despeito do senso comum, a guerra não representa a destruição por si mesma. “Quando os estados consideram que não conseguem resolver disputa por meios diplomáticos, eles recorrem à guerra”, explica.

Nesse sentido, Leães avalia que o Irã tinha dois grandes objetivos quando os EUA decidiram desrespeitar as negociações em curso e iniciar o conflito bélico: o primeiro era sobreviver e o segundo era destruir a hegemonia militar estadunidense no Golfo Pérsico. “E quando falo em sobreviver, é sobre o governo continuar estabelecido e com controle sobre seu sistema militar, a população seguir vivendo apesar da guerra e que o país siga em condições de causar danos significativos ao seu adversário”, explica.

“Basicamente, a guerra correu de acordo com os interesses dos iranianos. A maior prova disso é o Estreito de Ormuz“, pontua, ao lembrar que, desde fevereiro, o canal é o maior elemento de barganha do conflito.

O professor observa que, diante desse cenário, o governo persa quer ir além dos dois objetivos principais que estão sendo atingidos. “Querem ganhar em termos geopolíticos, por isso exigem um cessar-fogo generalizado no Oriente Médio, que é, na verdade, uma maneira de frear as ambições colonialistas do Estado de Israel. Há quem diga que o Irã saiu de uma estratégia de sobrevivência para uma estratégia de ambição”, destaca.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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