O Irã afirmou, nesta terça-feira (18), que manterá o Estreito de Ormuz fechado até que os Estados Unidos cumpram os compromissos previstos em um protocolo de acordo firmado em junho. A declaração foi feita pelo principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que também preside o Parlamento do país.
“O Estreito de Ormuz não será reaberto até que sejam implementados os compromissos estadunidenses estipulados no protocolo de acordo”, afirmou Ghalibaf em discurso transmitido pela televisão estatal.
Entre as condições apresentadas por Teerã estão a suspensão do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, o descongelamento de ativos iranianos, o fim do embargo ao petróleo e a interrupção das operações militares “em todas as frentes”.
O estreito, que separa o Irã da Península Arábica e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, se tornou um dos principais pontos de tensão desde o início da ofensiva conjunta dos EUA e de Israel contra o país persa. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo transitavam pela região.
Ameaça a Omã e ‘mapa’ de Ormuz sob controle dos EUA
Enquanto o Irã mantém a exigência para reabrir a passagem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar transformar o Estreito de Ormuz em território estadunidense. Nesta terça, ele publicou em sua plataforma Truth Social uma imagem da região com a legenda “Novo Território dos EUA”.
Na semana passada, Trump já havia afirmado que poderia declarar o estreito como território dos Estados Unidos caso o Irã não se rendesse.
O presidente também ameaçou atacar Omã, país aliado de Washington que participa das negociações com Teerã sobre a navegação na região.
“Se Omã ficar no caminho, vamos bombardeá-los e destruí-los”, afirmou Trump ao jornalista Trey Yingst, da Fox News.
Na mesma entrevista, o presidente estadunidense disse que o Irã deveria “hastear a bandeira branca e se render”.
Omã e Irã negociam há meses um possível acordo sobre a circulação de embarcações pelo estreito. As conversas ganharam relevância após o colapso de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, mediado pelo Paquistão, que previa manter Ormuz como uma rota marítima internacional aberta e sem cobrança de pedágios.
Negociações entre Irã e Omã continuam
Na segunda-feira (17), o governo iraniano confirmou que as negociações com Omã continuam. Segundo um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, os dois países estão discutindo o texto de uma declaração conjunta.
“As negociações entre Irã e Omã continuam de maneira séria”, afirmou o porta-voz. “Estamos trocando pontos de vista sobre o texto da declaração conjunta.”
Trump afirma que o estreito está sob controle dos Estados Unidos, apesar da forte redução no tráfego marítimo provocada pelo conflito. Na sexta-feira (14), ele chegou a dizer que declararia a região como parte do território estadunidense. O governo iraniano respondeu que Ormuz “continuará sendo iraniano”.
