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Altamiro Borges aponta disputa pela comunicação como desafio no enfrentamento à extrema direita

Jornalista defende maior atuação da mídia alternativa, dos movimentos sociais e do poder público

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Altamiro Borges durante debate sobre mídia alternativa no Armazém do Campo
Altamiro Borges durante debate sobre mídia alternativa no Armazém do Campo | Crédito: Katia Marko

Nesta terça-feira (18), o Sindicato dos Bancários Porto Alegre e Região promoveu, no Armazém do Campo, em Porto Alegre, um encontro com o jornalista Altamiro Borges, coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. A atividade teve como tema a atuação da mídia alternativa no enfrentamento à extrema direita.

Borges foi convidado do projeto “Diálogos Para Ação”, desenvolvido pelo SindBancários em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele participou do debate “O Desafio da Extrema Direita”, realizado também no dia 18, às 19h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Também participaram Juarez Guimarães, cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Camila Rocha, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Na conversa com veículos de comunicação popular, Borges argumentou que o crescimento da extrema direita não possui uma única causa, mas resulta de uma combinação de fatores sociais, políticos e econômicos. Entre os elementos citados pelo jornalista estão a falta de perspectiva, principalmente entre os jovens, os ressentimentos presentes na sociedade, a crise das instituições, as dificuldades enfrentadas por governos progressistas e as mudanças no mundo do trabalho.

Segundo ele, partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais também enfrentam dificuldades para responder às transformações da sociedade. Para o jornalista, esse conjunto de fatores abriu espaço para o crescimento da extrema direita.

A disputa pelas redes digitais

Um dos principais pontos abordados por Borges foi a capacidade da extrema direita de ocupar as redes digitais e utilizar as plataformas para disputar narrativas. “A extrema direita soube investir na guerra de narrativas.”

Na avaliação do jornalista, a extrema direita conseguiu compreender melhor a linguagem das redes e utilizá-la para ampliar sua comunicação. Ele também destacou a velocidade de circulação de informações no ambiente digital, apontando para a dificuldade de combater conteúdos falsos e desinformação.

Outro ponto levantado foi a relação entre a disputa política e o controle das plataformas digitais. Borges defendeu a discussão sobre a soberania digital do país e criticou a dependência brasileira em relação às grandes empresas de tecnologia, as chamadas Big Techs.

Para o jornalista, o Estado deveria ter uma atuação maior na discussão sobre a regulação das plataformas. Ele também defendeu que governos e movimentos sociais compreendam melhor o funcionamento do ambiente digital e sua importância para a disputa política.

Comunicação e movimentos sociais

Borges também afirmou que movimentos sociais, sindicatos e setores da esquerda subestimaram a disputa no campo da comunicação. Segundo ele, esses grupos ainda enfrentam dificuldades para ocupar as plataformas digitais e acompanhar as mudanças na forma como a sociedade se informa e se comunica.

Na avaliação do jornalista, é necessário ampliar os investimentos em comunicação, utilizar as redes digitais de forma mais estratégica e fortalecer veículos de mídia alternativa.

Ele também destacou a necessidade de compreender as transformações ocorridas no mundo do trabalho e as mudanças no perfil da classe trabalhadora. Para Borges, os movimentos sociais precisam participar ativamente da disputa pela comunicação e pelas narrativas que circulam na sociedade.

Mídia tradicional

Altamiro Borges ampliou a discussão para o papel da mídia tradicional e dos grandes grupos de comunicação na disputa política. Segundo o jornalista, durante os governos de esquerda no Brasil, esses veículos tiveram uma atuação importante na construção de narrativas políticas, especialmente no período que antecedeu o impeachment de Dilma Rousseff e a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na avaliação de Borges, a mídia tradicional contribuiu para a construção de um ambiente de polarização e para a abertura de espaço ao crescimento da extrema direita. Ele também defendeu a necessidade de democratizar a comunicação e ampliar o espaço destinado à mídia alternativa.

Duas frentes de disputa

Para Borges, a disputa pela comunicação atualmente ocorre em duas frentes: de um lado, estão os grandes grupos da mídia tradicional; de outro, as grandes plataformas digitais e as Big Techs.

Segundo o jornalista, a chegada da internet não eliminou a concentração da comunicação, mas criou uma nova frente de disputa. Nesse cenário, ele defendeu maior atenção à regulação das plataformas digitais e ao fortalecimento dos veículos de comunicação alternativa.

Na avaliação do jornalista, movimentos sociais, sindicatos e setores da esquerda precisam compreender as mudanças provocadas pela expansão das redes digitais e participar de forma mais ativa da disputa por narrativas na sociedade.

Editado por: Katia Marko

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