O Distrito Federal chegou nesta quarta-feira (19) à marca de 54 dias consecutivos sem chuva e atravessa um dos períodos mais críticos da estiagem. A combinação entre baixa umidade do ar, altas temperaturas e vegetação seca aumenta o risco de incêndios florestais em diferentes regiões da capital.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a última chuva registrada no DF ocorreu em 25 de junho. Uma massa de ar seco que atua sobre a região Centro-Oeste dificulta a formação de nuvens e mantém o tempo firme.
A estiagem já se reflete no número de incêndios em vegetação. Dados divulgados pelo Governo do Distrito Federal (GDF) apontam 3.738 ocorrências entre o início do ano e 16 de agosto. Somente nos primeiros 16 dias deste mês foram 1.012 registros.
Julho também teve número elevado, com 1.096 ocorrências. Apesar do cenário, o acumulado deste ano ainda é inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o DF contabilizou 4.346 incêndios em vegetação até 16 de agosto.
As condições atuais favorecem tanto o início quanto a rápida propagação das chamas. Com pouca água disponível no solo e na vegetação do Cerrado, o material seco se torna combustível para o fogo.
As temperaturas também devem continuar elevadas. No Plano Piloto, a máxima pode chegar a 31°C. Em outras regiões administrativas, as temperaturas máximas podem ser ainda maiores.
Período crítico para incêndios
Agosto marca a entrada no período mais crítico da temporada de incêndios florestais no Distrito Federal. Entre as regiões com histórico de recorrência de queimadas estão os parques distritais Boca da Mata e Recanto das Emas, a Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) Granja do Ipê, a Floresta Distrital dos Pinheiros e os parques ecológicos Ezechias Heringer, Tororó e Riacho Fundo.
Neste mês, incêndios já atingiram áreas ambientais do DF. Na última semana, por exemplo, um incêndio na região do Parque da Boca da Mata produziu uma coluna de fumaça que pôde ser vista de diferentes pontos do Sudoeste e do Guará.
Combate e prevenção
As ações de prevenção e combate ao fogo integram a Operação Verde Vivo, do GDF e Corpo de Bombeiros, iniciada em abril e prevista para seguir até novembro.
Na fase mais crítica da estiagem, o planejamento prevê o emprego diário de até 169 combatentes e 35 viaturas, além de aeronaves, drones e outros equipamentos. Em incêndios de grandes proporções, a previsão é de que até mil profissionais adicionais possam ser mobilizados.
Qualidade do ar
Além da perda direta da vegetação, os incêndios descontrolados podem provocar degradação do solo, erosão, assoreamento de cursos d’água e redução da fauna nativa.
A fumaça também representa risco para a população. Durante grandes incêndios, partículas e gases liberados pela queima da vegetação podem deteriorar a qualidade do ar e agravar desconfortos respiratórios.
Pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Brasília (UnB) durante o incêndio que atingiu o Parque Nacional de Brasília em 2024 identificou alterações na qualidade do ar e impactos na rotina de moradores da capital.
Provocar queimadas irregulares é infração ambiental. Dependendo da área atingida e das circunstâncias, as multas podem ultrapassar R$ 50 mil.
O Brasil de Fato procurou o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) para solicitar dados atualizados sobre a área atingida por incêndios no Distrito Federal em 2026, o número de ocorrências em unidades de conservação e um comparativo com o mesmo período do ano passado. O órgão não respondeu até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
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