Tensões com a Otan

Com poderio militar intacto, Irã pode atingir alvos em ‘toda a Europa’ caso conflito com os EUA escale, diz especialista

Otan afirma estar preparada para ameaças, mas divergências entre membros e alianças regionais complicam cenário

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Explosão provocada por ataques dos Estados Unidos no sul do Irã
Explosão provocada por ataques dos Estados Unidos no sul do Irã | Crédito: U.S. CENTRAL COMMAND

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) declarou, nesta quarta-feira (19), estar preparada para “enfrentar qualquer ameaça”, em referência à informação de que o Irã pretende atacar bases militares dos Estados Unidos na Europa caso o presidente Donald Trump intensifique o conflito.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Amauri Chamorro, especialista em Comunicação Política, afirma que o país persa mantém sua capacidade para uma ofensiva militar “praticamente intacta”. “O Irã tem mísseis balísticos que podem chegar até 4 mil km de distância do lugar onde foram acionados. Então, se você pegar essa distância em linha reta, você pode chegar até Londres. Toda a Europa poderia ser bombardeada desde o Irã”, destaca.

O especialista ressalta que a narrativa constantemente oscilante promovida por Donald Trump desde o início do conflito contribui para a atual escalada. “Constantemente os EUA anunciavam uma coisa e faziam outra, até porque muitas das informações eram falsas, e isso gera uma instabilidade”, explica.

Amauri Chamorro observa que essa instabilidade afetou mais o Ocidente do que o Oriente, que segue com comércio de petróleo entre seus aliados. O cenário contribuiu ainda para criar um processo de integração dos países sunitas, que agora têm o acordo de Meca, assinado por Turquia, Arábia Saudita e Paquistão. “Isso não é uma defesa do Irã. Isso é um sinal contra o Ocidente, dizendo: ‘Se vocês atacarem qualquer um de nós, nós vamos atacar’. Isso tudo gerou uma escalada”, explica.

Chamorro destaca que os integrantes da Otan divergem sobre a posição do bloco. Alguns, como a Espanha, não aprovam qualquer tipo de escalada do conflito no Oriente Médio. Tampouco aceita a Turquia, que tem uma parte pequena do território na Europa e o restante na Ásia, reúne um dos maiores exércitos da aliança militar e nutre excelente relação com o Irã. “A Turquia tem um papel geopolítico fundamental, porque é uma espécie de tampão em relação à instabilidade que ocorre na sua fronteira sul, onde estão Síria, Iraque e Irã”, aponta.

Por essa razão, inclusive, o norte da Síria foi bombardeado por Israel, “numa clara ação de provocação”. “Israel tenta desestabilizar a região constantemente. É um Estado genocida, assassino”, reforça.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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