ELEIÇÕES 2026

Conheça o perfil dos candidatos ao governo da Bahia

Sete candidaturas foram registradas no TSE na disputa pelo Palácio de Ondina

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Sete candidaturas ao governo da Bahia foram registradas no TSE | Crédito: Fotos divulgação TSE

No último sábado (15) se encerrou o prazo para partidos políticos, federações e coligações registrarem na Justiça Eleitoral as candidaturas que disputarão as Eleições Gerais de 2026. O registro formaliza as chapas escolhidas pelos partidos e pelas federações durante as convenções partidárias, realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. Serão analisados os documentos apresentados, as condições de elegibilidade e o cumprimento dos requisitos legais, e, ao final da análise, os pedidos serão deferidos ou indeferidos.

O período de campanha eleitoral começou no domingo (16), e a sociedade terá a oportunidade de conhecer as candidaturas e seus programas. Abaixo segue um perfil resumido dos seis candidatos e de uma candidata ao governo da Bahia, bem como algumas de suas propostas de governo.

Acm Neto (UNIÃO)

Nascido em Salvador, em 26 de janeiro de 1979, Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, conhecido como ACM Neto, exerceu três mandatos consecutivos como deputado federal (2003-2012) e foi prefeito de Salvador entre 2013 e 2020. Advogado, formado pela Universidade Federal da Bahia, é neto do ex-governador Antônio Carlos Magalhães. Além dos cargos eletivos, ACM Neto construiu uma trajetória de liderança partidária nacional. Presidiu o Democratas, comandou o processo de criação do União Brasil e, em 2022, assumiu a secretaria-geral da nova legenda. Atualmente, ocupa a vice-presidência nacional do partido. Em 2022, disputou pela primeira vez o Governo da Bahia, chegou ao segundo turno, mas perdeu para o atual governador, Jerônimo Rodrigues.

O plano de governo dessa chapa foca no que intitulam de “As Três Trindades da Mudança”: a de vida digna propõe comando pessoal da segurança pelo governador; saúde com regulação em fila única; e revogação da aprovação automática escolar. A de prosperidade territorial atua em emprego regional, saneamento, reformas do “Morar Melhor” e assistência social. A do futuro baiano investe em cultura, inovação, e proteção de seus três biomas.

Ariel Capistrano (DC)

Ariel da Silva Capistrano, é um dos candidatos a governador pela Bahia na eleição de 2026, pelo partido Democracia Cristã (DC). Nascido em 01 de novembro de 1986 em Feira de Santana, Ariel tem 39 anos, possui ensino médio incompleto e declarou ao TSE a ocupação de empresário.

O plano de governo de Ariel para a Bahia (2027–2030) busca o desenvolvimento social e econômico sob o slogan “Terceira Via”. Suas prioridades urgentes incluem reforçar a segurança pública com tecnologia e ampliação de efetivos; modernizar hospitais para reduzir as filas da saúde; expandir o ensino profissionalizante; gerar empregos via estímulo ao empreendedorismo; e investir em infraestrutura, saneamento e desenvolvimento no interior.

Aroldo Félix (UP)

Professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Aroldo Félix nasceu em João Pessoa e vive em Salvador desde 2023. É formado em Matemática e Engenharia Química, com mestrado e doutorado na área. Também atua no movimento sindical docente e ocupa uma das vice-presidências regionais do Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) . Aroldo não possui experiência em cargos executivos ou mandatos eletivos. Sua trajetória está concentrada na universidade pública, na produção científica, na formação de profissionais e na representação sindical. Em 2022, disputou o governo de Sergipe pela Unidade Popular e recebeu 0,14% dos votos válidos.

Seu programa defende a ampliação da presença do estado na economia, a reestatização de empresas, a suspensão do pagamento da dívida estadual, a reforma agrária e maiores investimentos em educação. Também propõe a desmilitarização da polícia e uma das propostas que vem chamando atenção é a promessa de dobrar o salário mínimo na Bahia, se concretizada, a proposta traria aumento de 100%, elevando o salário estadual para mais de 3 mil mensais. Parte dessas medidas, no entanto, depende de mudanças federais ou enfrenta limitações constitucionais e orçamentárias. A desmilitarização das polícias, por exemplo, não pode ser realizada isoladamente por um governador. O desafio da candidatura será transformar palavras de ordem em propostas com fontes de financiamento, prazos e caminhos jurídicos definidos.

Jerônimo Rodrigues (PT)

Nascido na zona rural de Aiquara, Jerônimo Rodrigues é filho de um agricultor familiar e de uma costureira. Formado em Engenharia Agronômica, também construiu uma carreira como professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Filiado ao PT desde 1990, passou por diferentes funções nos governos estadual e federal antes de ser eleito governador, em 2022, com 52,79% dos votos válidos. Tem experiência ampla na formulação e execução de políticas públicas. Foi secretário estadual de desenvolvimento Rural e da Educação, além de ter ocupado funções no Ministério do Desenvolvimento Agrário.

No governo, tem como principais feitos o Bahia Sem Fome, o aumento do número de escolas em tempo integral, a implementação da fábrica da BYD, montadora de carros elétricos, em Camaçari e o início da operação assistida do VLT do subúrbio. A segurança pública, entretanto, permanece como seu principal desafio, especialmente após o envolvimento de policiais militares em mortes de pessoas consideradas inocentes. Apesar da redução das mortes violentas em 2025, a Bahia continuou com a segunda maior taxa do país e o maior número de mortes violentas intencionais e Salvador lidera como a capital mais violenta, segundo dados do Atlas da Violência 2026.

O programa apresentado para sua candidatura de 2026 pretende dar continuidade às ações que vem desenvolvendo. Jerônimo propõe ampliar o ensino integral, regionalizar serviços de saúde, fortalecer o Bahia pela Paz, avançar em obras como o VLT e a ponte Salvador-Itaparica e a expansão da linha 1 do metrô até o campo grande.

José Estêvão (DC)

Nascido em Floresta Azul e criado em Itapetinga, José Estêvão é administrador, empresário e consultor de marketing político. Depois de mais de quatro décadas no PDT, deixou o partido em abril de 2026 e ingressou no Democracia Cristã (DC). Estêvão afirma possuir mais de 40 anos de experiência em consultoria para governos, campanhas e organizações. Essa trajetória, contudo, pertence ao setor privado e não equivale ao exercício de um cargo público. Não há registro comprovado de mandato eletivo ou função executiva sob sua responsabilidade.

Sua candidatura também enfrenta uma disputa interna dentro do seu partido. Duas alas do DC realizaram convenções em datas e locais diferentes da capital baiana e cada grupo apresentou nomes ao governo da Bahia. Até o momento da apuração, a validade da convenção e dos registros ainda deveria ser definida pela Justiça Eleitoral.

Com 73 páginas, o programa de Estêvão é o mais extenso entre os três candidatos ao palácio de Ondina. A principal promessa é criar “um milhão de oportunidades” por meio de empregos, capacitação, crédito e apoio ao empreendedorismo. O plano também propõe digitalizar 90% dos serviços estaduais, ampliar o ensino integral, criar uma plataforma para reduzir as filas na saúde e investir em inteligência policial e no desenvolvimento da região.

Apesar da quantidade de propostas, o documento não traz um orçamento consolidado e nem deixa claro como algumas metas serão consolidadas. No caso do programa “um milhão de oportunidades”, cursos, empregos, negócios e operações de crédito podem ser reunidos em uma mesma conta, embora tenham impactos diferentes.

Maria Bona (PCO)

Maria Bona Carrara de Sumbuy é candidata a governadora pela Bahia na eleição de 2026, pelo Partido da Causa Operária (PCO), com o número 29. Tem 73 anos e declarou ao TSE a ocupação de aposentada (exceto servidor público). Declarou R$ 200.000 em bens.

O PCO usa as eleições como tribuna para propagandear a revolução e o comunismo. Rejeitando a conciliação de classes, o partido busca organizar e mobilizar os trabalhadores por um governo próprio. Seu programa exige salário de R$ 7.500, jornada de 35h, cancelamento das reformas, reestatização de privatizadas, estatização do sistema financeiro, reforma agrária, liberdade de expressão e dissolução da polícia militar.

Ronaldo Mansur (PSol):

Natural de Alagoinhas, Ronaldo Mansur Santos Silva é técnico em meio ambiente, estudante de Direito, militante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), é candidato a governador pela Bahia na eleição de 2026, pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Tem 47 anos e declarou R$ 91.397 em bens. Foi duas vezes candidato a Vice-Governador, em 2014 e em 2022, e Deputado Federal em 2018.

O programa PSOL-REDE propõe o desenvolvimento sustentável da Bahia. Suas diretrizes incluem: renegociar a dívida estadual; ampliar a participação popular via orçamento participativo; desmilitarizar as polícias com foco em investigação; universalizar o ensino básico; fortalecer o SUS; promover as reformas agrária e urbana; e garantir reparação histórica e direitos humanos.

As candidaturas representam caminhos distintos para a Bahia: continuidade administrativa, ruptura socialista e uma proposta de gestão inspirada no setor privado. Até o momento analisado, apenas Jerônimo havia participado de um debate televisionado, evento que foi realizado pela Band Bahia no domingo 9 de Agosto, onde Jerônimo Rodrigues (PT), enfrentou Acm Neto (União) e Ronaldo Mansur (PSOL). Os demais ficaram de fora por causa do critério de representação parlamentar de seus partidos.

*Com colaboração de Gerônimo Santos.

Editado por: Jamile Araújo

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