Segurança pública

Plano de segurança apresentado por Tarcísio ignora controle de armas e presídios no combate ao crime organizado, diz especialista

Para Cristina Neme, combate às facções exige articulação de diferentes órgãos e um olhar atento ao sistema prisional

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Governador Tarcísio de Freitas toma posse na Assembleia Legislativa.
Governador Tarcísio de Freitas | Crédito: Alesp

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apresentou seu plano de governo para uma das áreas de maior interesse — e preocupação — do eleitorado brasileiro: a segurança pública. Batizado de “Trilha da Prosperidade”, o conjunto apresenta, em sua maioria, propostas focadas em escalonar ações já realizadas.

Há menções ao aumento de monitoramento por câmeras, uso de inteligência artificial e foco em proteção das mulheres — um “calcanhar de Aquiles” da sua gestão, que viu os casos de feminicídio explodirem. Em todo o estado, houve aumento de 10% de casos no primeiro semestre deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado. De 2021 para 2025, o crescimento foi de 96%.

Veja a seguir a análise de alguns pontos do planejamento de Tarcísio.

Articulação

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Cristina Neme, coordenadora de projetos do Instituto Sou da Paz, destaca que a proposta para o combate às organizações criminosas fala em bloqueio de recursos e combate à lavagem de dinheiro, elementos presentes em todos os planos de candidatos apresentados. O grande obstáculo é operacionalizar isso.

“O desafio é investir nas capacidades entre as instituições policiais, Ministério Público, Judiciário e sistema prisional para avançar em políticas efetivas nesse sentido”, destaca.

Armamento

Cristina Neme critica a falta de menção ao controle de armas e munições. Cita como exemplo as delegacias especializadas no controle de armas, presentes em alguns estados brasileiros e chamadas “Desarme”.

“Nós sabemos que o acesso à arma de fogo é um elemento fundamental das organizações para se estabelecerem e para atuarem, não só no estado de São Paulo, como em todo o país. Faz falta uma política orientada para o controle do uso de armas, rastreamento, identificação dos fluxos e do tráfico de armas no estado de São Paulo e sua relação com outros estados”, explica.

Prisões

Neme também reforça a necessidade de um olhar atento ao sistema prisional, fortalecendo estruturas já existentes, inclusive no âmbito federal. Justifica a urgência pela relação entre o crime organizado e o cárcere.

“O sistema prisional e o avanço e fortalecimento do crime organizado são como que irmãos gêmeos. Principalmente no estado de São Paulo, a gente tem isso demonstrado. A criminalidade organizada se fortalece a partir do sistema prisional. Se a gente não enfrentar esse desafio, fica difícil. Embora as ações em tecnologia e investigação sejam fundamentais para desbaratar as redes criminosas, se a gente não investir no sistema prisional, que muitas vezes fica invisível para a sociedade, a gente não tem como melhorar de fato as condições e reduzir as capacidades do crime organizado. Então, essa é uma frente essencial e que merece muito investimento”, conclui.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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