Mobilização

Bancários iniciam paralisação nacional de 24 horas por reajuste salarial e avanço em negociações com bancos

Trabalhadores aprovaram o Dia Nacional de Paralisação para esta quinta (20) após rejeitarem proposta da Fenaban

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Paralisação desta quinta-feira (20) foi aprovada em assembleia
Paralisação desta quinta-feira (20) foi aprovada em assembleia | Crédito: Divulgação / Sindicato dos Bancários

Bancários iniciaram nesta quinta-feira (20), às 10h, uma paralisação de 24 horas para pressionar os bancos por avanços nas negociações da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. O movimento foi aprovado pela categoria após a rejeição de uma proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que previa reajustes diferenciados por faixas salariais e o congelamento do piso de ingresso para novos trabalhadores.

Na oitava rodada de negociação, realizada na terça-feira (18), a Fenaban recuou dessas duas propostas, mas novamente não apresentou um índice de reajuste para salários e demais verbas. A próxima reunião entre o Comando Nacional dos Bancários e os representantes dos bancos está marcada para segunda-feira (24).

Para Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, o recuo da Fenaban é resultado da mobilização da categoria.

“Este recuo, sem dúvida, é uma vitória da nossa mobilização, da expressiva participação da categoria nas assembleias, que rejeitou de forma lquase unânime o modelo proposto pela Fenaban e aprovou a paralisação do dia 20, reforçando a importância da nossa unidade nacional e da mesa única para a categoria. Foi a mobilização de cada bancário e bancária que fez com que os banqueiros recuassem”, afirmou.

Mais de 50 mil trabalhadores participaram das assembleias realizadas em todo o país para avaliar a proposta apresentada pelos bancos. Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, 97,66% rejeitaram a proposta e 89,34% aprovaram a paralisação.

“É a mobilização de cada bancário e bancária que vai fazer com que saiamos dessa Campanha Nacional vitoriosos”, acrescentou Neiva.

Bancos ainda não apresentam índice de reajuste

Apesar de retirar da mesa o modelo de reajuste por faixas e a proposta de congelamento do piso de ingresso, os bancos não apresentaram uma proposta com índice de reajuste para os salários e demais verbas da categoria.

Os bancários reivindicam 5% de aumento real — ou seja, além da reposição da inflação — para salários e demais verbas, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), além de reajustes maiores para os vales-refeição e alimentação.

A categoria também reivindica a elevação do piso salarial para o valor do salário mínimo necessário calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), atualmente em R$ 7.999,44.

Segundo dados apresentados pelo Comando Nacional nas negociações, os cinco maiores bancos brasileiros registraram lucro de R$ 124 bilhões em 2025. Entre 2003 e 2025, o lucro líquido dos maiores bancos cresceu 178% acima da inflação.

Para os trabalhadores, os resultados contrastam com a trajetória da remuneração da categoria. A massa salarial real dos bancários caiu 17% desde 2014, segundo os dados apresentados nas negociações. Entre 2019 e 2025, as despesas de pessoal dos bancos recuaram 15%.

Fim da ultratividade é outro ponto de disputa

Outro tema levado pelo Comando Nacional à mesa de negociação é a garantia da ultratividade da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). O mecanismo garantia a manutenção das condições previstas em um acordo coletivo enquanto uma nova convenção não fosse assinada, mas foi retirado pela Reforma Trabalhista de 2017.

Os bancários afirmam que a ausência da ultratividade aumenta a pressão sobre a categoria conforme se aproxima a data-base, em 1º de setembro. Na negociação de terça-feira, os representantes dos bancos rejeitaram a reivindicação e voltaram a mencionar a possibilidade de levar a negociação ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Em nota à imprensa, a Fenaban disse que espera chegar a um acordo positivo para ambas as partes.

“A Federação Nacional dos Bancos, que representa há 34 anos os bancos nas negociações trabalhistas, recebeu, em 24 de junho, a pauta de reivindicações referente à campanha salarial deste ano. As negociações seguem o cronograma estabelecido, e esperamos, ao longo desse processo, alcançar um entendimento satisfatório para ambas as partes.”

Segundo o sindicato que representa os trabalhadores, a federação dos bancos tentou condicionar a realização de novas rodadas de negociação à suspensão da paralisação desta quinta-feira. O Comando Nacional, no entanto, manteve o movimento aprovado nas assembleias.

“Queremos proposta decente. É muito importante a adesão de cada bancário e bancária à paralisação desta quinta. Precisamos dar uma forte resposta aos banqueiros, mostrando a nossa indignação com a enrolação da Fenaban”, afirmou Neiva Ribeiro.

Editado por: Geisa Marques

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