CAMPANHA SALARIAL

Bancários lotam praça da Alfândega em Porto Alegre durante paralisação nacional

Categoria cobra aumento real da Fenaban e pressiona por avanços em mobilização com adesão em diferentes cidades do RS

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Ato reuniu bancários de diferentes instituições na praça da Alfândega mesmo com a chuva que atingiu Porto Alegre
Ato reuniu bancários de diferentes instituições na praça da Alfândega mesmo com a chuva que atingiu Porto Alegre | Crédito: Nico Kûara Costamilan – SindBancários de Porto Alegre e Região

Centenas de bancários ocuparam a praça da Alfândega, no Centro Histórico de Porto Alegre, nesta quinta-feira (20), durante a paralisação nacional de 24 horas da categoria. Mesmo com a chuva ao longo da manhã, trabalhadores permaneceram concentrados entre as agências do Banrisul e da Caixa Econômica Federal. A mobilização também fechou diversas unidades bancárias em Porto Alegre e na Região Metropolitana.

O movimento começou nas primeiras horas do dia, com dirigentes sindicais passando pelas agências e conversando com os trabalhadores. Ao longo da manhã, a praça reuniu bancários de diferentes instituições financeiras.

“A união dos bancários aqui na praça mostra a força da categoria e dá um recado claro à Fenaban”, afirmou o presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), Luciano Fetzner. Segundo o dirigente, centenas de agências aderiram à paralisação.

A paralisação também teve adesão em outras cidades do estado, como São Leopoldo, onde 12 das 20 agências ficaram fechadas, e Caxias do Sul, com paralisações em unidades de bancos públicos e privados. A mobilização faz parte da Campanha Nacional Unificada de 2026 e cobra uma proposta dos bancos para a categoria.

Em Porto Alegre e região, segundo o SindBancários, 97,5% dos participantes da assembleia rejeitaram a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Mais de 1,7 mil bancários participaram da votação.

Diretora do SindBancários, Priscila Aguirres criticou a demora nas negociações e o estágio da campanha salarial. “Nós temos a campanha salarial já em sua fase, que deveria ser de encerramento, e ainda não temos uma proposta para avaliar.”

Segundo o Comando Nacional dos Bancários, a proposta apresentada inicialmente pela Fenaban previa reajustes diferentes conforme as faixas salariais e congelamento do piso de ingresso. Na oitava rodada de negociação, realizada na terça-feira (18), os bancos retiraram esses dois pontos, mas não apresentaram índice de reajuste para salários e demais verbas. Mais de 50 mil trabalhadores participaram das assembleias realizadas em todo o país.

Para o diretor do SindBancários Luiz Cassemiro, a adesão desta quinta-feira mostra a força da mobilização da categoria. “Isso mostra a nossa capacidade de mobilização. Isso mostra que a categoria dos bancários é uma categoria resistente, é uma categoria de luta”, afirmou.

Reajuste e condições de trabalho

Os bancários reivindicam reposição da inflação mais 5% de aumento real para salários e demais verbas, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), reajustes maiores nos vales-refeição e alimentação e aumento do piso salarial. A categoria também cobra melhores condições de trabalho e denuncia metas abusivas e impactos sobre a saúde.

Os sindicatos afirmam que os bancos têm condições de atender às reivindicações. Dados apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários mostram que os cinco maiores bancos brasileiros tiveram lucro de R$ 124 bilhões em 2025.

Fetzner também relacionou a mobilização às condições enfrentadas dentro dos bancos. “Há também um processo muito grande de adoecimento, metas abusivas e inatingíveis”, afirmou. Segundo o dirigente, os resultados financeiros das instituições contrastam com a pressão cotidiana sobre os trabalhadores.

A próxima rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban está prevista para segunda-feira (24). Em nota, a federação afirmou que as negociações seguem o cronograma estabelecido e disse esperar um acordo entre as partes.

* Com informações do Sindbancários de Porto Alegre e Região

Editado por: Marcelo Ferreira

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