O Bolsa Família voltou ao debate político cercado de ataques e informações distorcidas promovidas pela extrema direita. Dessa vez, a candidata a deputada federal Sophia Barclay (PL-SP) fez críticas a programas sociais do governo Lula, mesmo sendo beneficiária de pelo menos quatro deles.
Para a educadora popular, cientista política e sócia da Quid, Bárbara Barboza, o desconhecimento, proposital ou não, acaba causando muitas vezes a propagação de mentiras. Barboza destaca que é importante dimensionar que o Bolsa Família atende mais de 50 milhões de pessoas e, desse montante, 84% são mulheres e 73% são negras.
“Essas pessoas têm cara, cor. Têm a cara da mulher negra. Isso tudo é importante que a gente entenda para que todo mundo se mobilize para combater a desinformação sobre a política do Bolsa Família e combater os ataques a essas mulheres negras que são as beneficiárias dessa política”, defende ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.
Barboza é uma das idealizadoras da plataforma Ju do Bolsa, ferramenta de inteligência artificial voltada para tirar dúvidas e combater desinformação sobre o programa. Nesse sentido, a especialista encoraja as pessoas a usarem a informação qualificada para combater as mentiras e distorções sobre o tema.
“Os dados mostram que o Bolsa Família é um retrato da dignidade, do combate à fome, mas também de um dinheirinho no bolso dessa população que sofre no enfrentamento da pobreza. Combater a desinformação é muito necessário, que é defender que é uma política pública que precisa, obviamente, melhorar, precisa ser ampliada, precisa melhorar a territorialidade dela, precisa melhorar a forma como se comunica sobre como as pessoas podem se beneficiar dessa política a partir da sua classe, da sua renda, do seu território”, explica. “Acho importante a gente entender que defender o Bolsa Família significa lutar por um país melhor”, resume.
Um dos pontos mais complexos e comuns do processo de desinformação com relação ao Bolsa Família é de que as pessoas que recebem o benefício “não gostam de trabalhar”. Bárbara Barboza destaca que, na realidade, é exatamente o contrário o que acontece com essas mulheres beneficiárias. Isso por conta da chamada economia do cuidado.
“São mulheres gestoras das suas casas, do seu entorno. A pessoa que acessa esse direito, que é o Bolsa Família, não está desocupada. Muito pelo contrário. Quem recebe Bolsa Família trabalha e trabalha muito. Trabalha em casa cuidando da família, cuidando dos filhos, cuidando da mãe, cuidando da avó, cuidando da sua comunidade, liderando a sua comunidade pela garantia de mais direitos, combatendo a violência doméstica e a violência nos seus territórios, mas também ocupa cargos de trabalho e emprego, faz bicos, trabalha por conta própria, às vezes até empreende”, afirma.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
