Desinteresse?

Falta de trabalho de base dos partidos tem afastado jovens da política, avalia advogada e pesquisadora

Fernanda de Oliveira também aponta impacto importante das redes sociais: 'jovens não têm referência de luta nas ruas'

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Minas Gerais registra atualmente 970.499 eleitores com o título cancelado | Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O levantamento feito pelo Instituto Nexus com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o número de brasileiros de 16 a 24 anos aptos a votar caiu 22% em 16 anos. Desesperança ou desinteresse: o que pode estar gerando esse afastamento da juventude da política?

A advogada e pesquisadora Fernanda Cordeiro de Oliveira observa que essa não é exatamente uma tendência atual e que, desde 2010, essa queda vem acontecendo paulatinamente e tem afetado especialmente os maiores colégios eleitorais do Brasil, que são Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Além disso, ela observa que essa desvinculação ao tema da política tem acontecido mais entre jovens de 18 e 24 anos, faixa etária em que o voto é obrigatório, do que entre 16 e 18, quando ainda é facultativo.

Para Oliveira, é uma conjunção de fatores que tem levado a esse quadro. A advogada, contudo, não acredita que se trate exatamente de desinteresse, mas de falta de formação política e, nesse sentido, os partidos políticos têm falhado na missão e deixado esse papel formativo para as redes sociais, gerando resultados trágicos. “Os partidos têm um papel fundamental nessa formação política e de base desses jovens, e muitos deles não têm feito o dever de casa, ainda mais com a ascensão das redes sociais, que eu digo que é uma faca de dois gumes. Ela pode ser muito boa, mas também pode ser prejudicial. É aí que a gente tem fenômenos de votação vindo das redes sociais, como Nikolas Ferreira, que fala com o público massivamente jovem”, avalia em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.

Fernanda Cordeiro de Oliveira também destaca a existência de um “gargalo dentro das próprias legendas”, que acabam não realizando um trabalho de base com a juventude, que, por sua vez, não demonstra engajamento para se implicar politicamente. “Eles acabam se acomodando, achando que não é mais preciso ir para as ruas, como foi nas Diretas Já!, por exemplo”, aponta.

Por outro lado, a participação de pessoas de mais de 60 anos na eleição aumentou. Para a advogada, essa formação etária do eleitorado pode impactar a composição dos quadros a serem formados no pleito. Oliveira pondera que, se, por um lado, os mais jovens não têm uma memória de luta nas ruas, do outro, as pessoas mais velhas, seja de qualquer campo político, testemunharam outro contexto político e social do país. “Essas pessoas têm um histórico, em regra, no movimento ou não também, mas elas, em regra, foram mais beneficiadas por políticas públicas e elas pensam na melhora do país”, pondera.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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