O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um conjunto de medidas para ampliar a capacidade brasileira de desenvolvimento e uso de inteligência artificial (IA), com foco em soberania tecnológica e infraestrutura própria. O pacote foi anunciado nesta quinta-feira (20), no Rio Grande do Norte, em evento com a participação do presidente.
As ações envolvem a compra de um novo supercomputador, parcerias para desenvolvimento de modelos de inteligência artificial, formação de profissionais, construção de capacidade computacional e investimentos em tecnologias de arquitetura aberta. A estratégia integra o novo Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).
Importância estratégica
Segundo Rogério da Veiga, secretário de Atuação e Articulação de Políticas Sociais da Casa Civil, a inteligência artificial representa uma nova etapa das transformações provocadas pela digitalização da economia e dos serviços públicos.
“O digital é uma prioridade do governo Lula e ele já transformou a economia, a sociedade e os serviços públicos”, afirmou. Para ele, a expansão da inteligência artificial exige que o país esteja preparado para lidar com uma transformação que já ocorre em escala global.
Na avaliação do secretário, três pilares são fundamentais para que o Brasil avance na área: infraestrutura, modelos de inteligência artificial e dados. “As três entregas que estão colocadas agora dialogam com esses três pilares”, disse.
Detalhes do plano
A aquisição de um supercomputador, segundo o governo, ampliará a capacidade brasileira de processamento. A estrutura será instalada no Rio Grande do Norte, mas atenderá pesquisadores, universidades, empresas, startups e centros de pesquisa de diferentes regiões do país.
A proposta é começar com uma máquina de menor porte e ampliar sua capacidade conforme a demanda. A estratégia foi apresentada como uma forma de enfrentar também as dificuldades de acesso a equipamentos de alta capacidade no mercado internacional.
O secretário de Ciência e Tecnologia para a Transformação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Henrique Miguel, afirmou que a infraestrutura computacional é um dos principais gargalos para o desenvolvimento da inteligência artificial no país. “O mais importante deles, e o mais discutido no mundo”, afirmou.
Miguel também destacou a necessidade de formação de profissionais especializados e de ampliar a capacidade nacional de pesquisa e desenvolvimento. Para ele, a qualificação de mão de obra também foi identificada “como um fator de soberania e um aspecto estratégico nessa rota da inteligência artificial”.
O governo pretende ainda avançar no desenvolvimento de arquiteturas abertas para chips, em especial a RISC-V. A tecnologia, segundo Miguel, contribuirá para a construção de componentes utilizados em sistemas de supercomputação com “processadores abertos”, sem que o país fique dependente de tecnologias proprietárias.
A estratégia também prevê cooperação com empresas e instituições estrangeiras. A avaliação do governo é que a construção de autonomia tecnológica não significa isolamento, mas capacidade de desenvolver soluções próprias e estabelecer parcerias em condições mais favoráveis.
O pacote inclui ainda a criação de um Centro Nacional de Transparência Algorítmica IA Confiável, voltado ao desenvolvimento de metodologias para avaliar sistemas de inteligência artificial, identificar riscos, vieses, falhas e possíveis discriminações. A iniciativa deverá funcionar em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e também terá a função de subsidiar políticas públicas relacionadas ao uso da inteligência artificial.
