Tragédia

Linchamento em Copacabana é expressão de ‘militarismo da sociedade’, diz cientista político

Por suspeita de roubo de bicicleta, Cláudio Landeiro foi espancado até a morte

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Cláudio Rafael Landeiro foi vítima de linchamento em Copacabana
Cláudio Rafael Landeiro foi vítima de linchamento em Copacabana | Crédito: Reprodução/Linkedin

O linchamento de Cláudio Landeiro, de 37 anos, na terça-feira (11), ocorreu após o homem se afastar de sua bicicleta para entrar em uma farmácia e ser interpretado como ladrão por um segurança que trabalha na rua. A explicação da Polícia Civil foi dada após depoimentos colhidos pela 12ª Delegacia de Polícia, localizada em Copacabana, zona sul do Rio.

Ao Brasil de Fato, o cientista político Jorge Rodrigues analisa o caso como sintoma de uma sociedade adoecida que legitima a violência indiscriminada e tem o militarismo como estrutura social. A consequência disso é legitimar a escolha de quem deve viver e quem deve morrer. “Este é um processo de desumanização do outro que está incutido em nossas forças de segurança enquanto política pública e em nossa sociedade enquanto cultura política”, argumenta.

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Como mostram as câmeras, a vítima saiu para dar uma volta com a bicicleta de uma das irmãs por volta das 22h e ao se afastar da bicicleta e ficar parado na calçada, houve suspeita de que a bicicleta era roubada e pessoas presentes chamam seguranças. Mais a frente ele é espancado por três homens.

Em entrevista ao RJ2, Fabiana, uma das irmãs de Cláudio, contou que o irmão era neurodivergente e uma pessoa muito querida e calma. A família está desolada. “Não teve nenhum motivo”, contou.

Outro ponto levantado por Rodrigues é o crescimento do mercado de segurança privada a partir da sensação de insegurança. “O emprego indiscriminado da força em nome de empresas privadas por sujeitos que são, muitas vezes, agentes de segurança pública fora de serviço deve ser visto com atenção. Isso exige pensarmos seriamente na regulamentação desse mercado e na formação desses profissionais”, defende.

Editado por: Juliana Passos

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