O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetou a Pablo Marçal (PRTB) qualquer tipo de divulgação de campanha eleitoral na TV, participação em debates e acesso ao fundo partidário. O influenciador foi condenado pela Justiça Eleitoral de São Paulo e considerado inelegível até 2032. Mesmo assim, lançou-se candidato.
Marçal pediu a desfiliação do União Brasil para se filiar ao PRTB, e a Justiça Eleitoral autorizou o processo. Contudo, diante da inelegibilidade, o registro da sua candidatura, apresentado em 15 de agosto, aguarda análise do TSE, o que abre uma brecha para que ele, por ora, pose como candidato.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Benedito Tadeu César, professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), avalia que a tendência é que a inelegibilidade, decidida pelo TRE, seja ratificada pelo TSE.
“Essa é uma candidatura que não tem por objetivo prosperar, mas tumultuar o processo eleitoral. Fica claro pelas declarações dele que o objetivo da campanha é auxiliar na candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele sabe que não vai prosperar, mas continua para dar força para candidaturas de direita. Ele quer fazer uma campanha que ancore a candidatura de Flávio”, afirma.
César considera que, estrategicamente, é positivo para Marçal a construção dessa candidatura, ainda que ela não vingue. “Sempre que você se lança candidato, você está construindo o capital eleitoral para outras eleições, você está se mantendo na mídia, no debate público, no debate político e, ao mesmo tempo, você tem votos. Naquela eleição, você vai transferir num segundo turno, ou, na reta final do primeiro turno, eles tendem a migrar para outras candidaturas”, analisa. “Isso pode se traduzir em cargos, em benefícios.”
Para Benedito Tadeu César, tudo que é feito com o objetivo de atrapalhar o processo eleitoral traz prejuízos para o exercício da democracia. “Acaba desviando o foco do que realmente importa. Por exemplo, essa história do patrimônio dele, da discussão de quanto é, de onde veio, não tem relevância política eleitoral nesse momento”, pontua. Todavia, o debate dilui a atenção que estaria dirigida a Flávio, para que ele justifique os recursos pedidos ao banqueiro Daniel Vorcaro.
“Flávio Bolsonaro está há 63 dias atrasado na promessa que ele próprio fez de divulgar os recursos que ele recebeu para o filme sobre a vida do seu pai. Essa é uma questão muito mais relevante de ser discutida, porque já em qualquer situação isso é relevante, mas principalmente pelo fato de que esse candidato está disputando a cabeça dessa eleição”, pontua.
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