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Sem explicar dinheiro de Vorcaro e do banco Master, Flávio Bolsonaro diz que Dark Horse é ‘página virada’

Senador diz ter prestado contas, mas não há documentos públicos sobre os R$ 61 milhões pagos pelo banqueiro preso

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Flavio Bolsonaro
Flavio Bolsonaro | Crédito: Mauro Pimentel/AFP

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou nesta quinta-feira (20) que a controvérsia envolvendo o filme de ficção “Dark Horse”, livremente inspirado em seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é uma “página virada”. A declaração foi dada durante agenda de campanha em São Paulo, ao ser questionado sobre a origem e o destino dos recursos que bancaram a produção.

Segundo Flávio, a prestação de contas do filme já foi realizada. “Já aconteceu”, disse, adicionando que viu o documento e que “estava tudo certinho”.

A afirmação, porém, não encerra as dúvidas sobre o financiamento de Dark Horse. Flávio não apresentou publicamente uma prestação de contas detalhada que esclareça o caminho percorrido pelos recursos recebidos do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Em maio, veio a público que Vorcaro havia repassado R$ 61 milhões para a produção após tratativas com o senador. O valor foi depositado em um fundo ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que vive atualmente nos Estados Unidos.

Mensagens e áudios mostram uma relação aparentemente próxima entre Flávio e Vorcaro. Em uma gravação de setembro de 2025, o senador cobra mais dinheiro do banqueiro para o projeto. Ao todo, o agora candidato à presidência pelo PL pediu R$ 134 milhões. Flávio posteriormente confirmou que solicitou os recursos, mas afirmou que uma cláusula de confidencialidade explicaria por que não havia mencionado anteriormente a relação com Vorcaro.

A documentação pública disponível ainda não responde em definitivo à pergunta sobre onde foi parar o dinheiro. Reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que a produtora de “Dark Horse” declarou ter gasto R$ 75 milhões na obra, mas o nome de Vorcaro não aparece como financiador nos documentos apresentados. A própria produtora afirmou que o filme teria apenas investimentos estrangeiros e negou ter recebido recursos do ex-banqueiro.

Documentos divulgados posteriormente pelo Intercept Brasil, contudo, apontaram transferências de recursos de Vorcaro para os Estados Unidos. O material inclui planilha e comprovante bancário sobre a movimentação dos valores.

Enquanto Flávio tenta retirar o assunto da agenda eleitoral, o episódio permanece sob investigação. A produção cinematográfica é alvo de apurações sobre um possível uso irregular de verbas públicas, além da ausência de licenças obrigatórias da Ancine (Agência Nacional do Cinema).

Editado por: Gia Matheus Almeida

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