sem transparência

Tribunal de Contas do DF trava análise das contas de 2025 por falta de balanço auditado do BRB

Relator afirma que prejuízos do banco precisam ser conhecidos para avaliar impactos sobre patrimônio e situação fiscal

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BRB fachada
Banco de Brasília (BRB) é uma das instituições financeiras envolvidas no escândalo do Master | Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) manteve travada a análise das contas do Governo do Distrito Federal (GDF) referentes a 2025 por causa da falta das demonstrações financeiras auditadas do Banco de Brasília (BRB). Em novo voto, nesta quarta-feira (19), o conselheiro Paulo Tadeu reafirmou que o prazo de 60 dias para a apreciação das contas ainda não começou a correr e determinou que a Casa Civil e o banco apresentem, em até 30 dias, esclarecimentos sobre o atraso na divulgação do balanço.

A ausência dos documentos foi identificada pela Secretaria de Macroavaliação Governamental (Semag) em maio, durante a análise da prestação de contas encaminhada ao TCDF. A área encontrou registros do BRB “em digitação”, informações disponíveis apenas até o segundo trimestre de 2025 e registros incompletos e sem validação no Sistema Integral de Gestão Governamental (SIGGo). A lacuna interfere no cálculo da equivalência patrimonial e em demonstrativos que integram as contas do Distrito Federal.

Para o relator, as informações do banco são indispensáveis para que o tribunal avalie a situação patrimonial do Distrito Federal. Paulo Tadeu argumentou que, sem conhecer a dimensão dos prejuízos do BRB, não é possível dimensionar seus possíveis reflexos sobre as contas públicas.

“Apenas com a publicação das demonstrações definitivas, validadas e auditadas, é que se poderá aquilatar a real magnitude dos prejuízos suportados pela instituição financeira distrital e os potenciais reflexos dessa situação sobre o quadro fiscal e patrimonial do próprio Distrito Federal”, afirmou o relator.

O conselheiro também rejeitou a possibilidade de acelerar a análise das contas diante da demora na entrega dos documentos. “Prescindir desse elemento essencial a pretexto de conferir celeridade à apreciação das contas equivaleria a emitir juízo técnico sobre patrimônio e situação fiscal do ente, sem o conhecimento efetivo de uma das suas mais relevantes variáveis na atual conjuntura”, disse Paulo Tadeu.

A decisão mantém o entendimento firmado pelo plenário do TCDF em junho. Na ocasião, a Corte reconheceu que as demonstrações financeiras do BRB são documentos essenciais à prestação de contas e estabeleceu que o prazo regimental de 60 dias só começa a contar após o recebimento do material completo.

Crise do BRB

A demora na divulgação do balanço ocorre em meio à crise envolvendo operações do BRB com o Banco Master, investigadas pela Operação Compliance Zero. No voto, Paulo Tadeu cita informações sobre transações que teriam movimentado aproximadamente R$ 30 bilhões e estimativas de que ao menos R$ 8,8 bilhões corresponderiam a títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.

Para recompor o patrimônio do BRB, o Distrito Federal autorizou uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões. Na avaliação do conselheiro, os valores envolvidos e as medidas adotadas para recuperar a situação financeira do banco fazem com que os efeitos da crise possam alcançar as contas públicas e áreas que dependem da atuação da instituição.

“Os valores envolvidos até então noticiados, […] evidenciam que a crise do BRB transcende a esfera interna da instituição financeira e pode repercutir tanto no financiamento de relevantes políticas públicas distritais, quanto na própria operacionalização de diversos programas sociais e na gestão de serviços públicos”, afirmou Paulo Tadeu.

Cobrança

O TCDF também determinou que a Casa Civil esclareça se existe alguma ordem formal do governo para condicionar a divulgação do balanço de 2025 à contratação do empréstimo de R$ 6,6 bilhões. O órgão deverá apresentar fundamentação técnica e documentos que comprovem a existência ou não dessa determinação.

A cobrança ocorre após a governadora Celina Leão (PP) afirmar que o balanço do BRB seria divulgado apenas depois da assinatura do empréstimo. O tribunal quer esclarecer a origem dessa vinculação porque, até o momento, ela aparece em declarações públicas, sem confirmação formal nos autos. A petição analisada pelo TCDF também aponta que a justificativa apresentada anteriormente para o atraso estava relacionada às auditorias sobre as operações com o Banco Master.

O BRB deverá informar ainda se a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou o Banco Central instauraram procedimentos ou aplicaram penalidades administrativas pelo atraso na divulgação das demonstrações financeiras de 2025. O banco terá de encaminhar ao tribunal a documentação referente a eventuais medidas adotadas pelos órgãos reguladores.

A nova manifestação do TCDF ocorreu após petição apresentada pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT) em 17 de julho, na qual ele questionou a demora na divulgação do balanço do BRB.


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Editado por: Clivia Mesquita

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