Chapa do inelegível

Vice de Marçal é réu por associação criminosa, violência política de gênero e fraude no PRTB

Leonardo Avalanche enfrenta ainda investigações sobre vínculo com PCC; registro da candidatura será analisada pelo TSE

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Pablo Marçal
Pablo Marçal está inelegível até 2032 | Crédito: Reprodução/Facebook

Leonardo Avalanche, presidente nacional do PRTB e candidato a vice-presidente na chapa apresentada por Pablo Marçal, é réu na Justiça de São Paulo por crimes como associação criminosa, violência política de gênero e inserção de dados falsos em sistemas públicos. A informação foi publicada pelo Metrópoles e confirmada pelo Brasil de Fato com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Segundo a denúncia apresentada pelo MP-SP em janeiro e recebida pela Justiça em março, Avalanche teria atuado para assumir o controle do PRTB durante uma disputa interna pelo comando da legenda, em 2024. O Ministério Público aponta o político como articulador de uma fraude na eleição interna realizada em fevereiro daquele ano, com recrutamento de pessoas para se passarem por fundadores do partido, além do uso de documentos falsos e assinaturas falsificadas.

A acusação também aponta danos à então vice-presidente nacional do PRTB, Rachel de Carvalho. De acordo com o MP-SP, Avalanche teria participado de um processo de pressão e coação para afastá-la do partido, que incluiu ameaças de morte, ofensas misóginas e a tentativa de obrigá-la a assinar uma renúncia. O processo tramita em segredo de Justiça por envolver violência política contra uma mulher.

Ainda segundo a denúncia, integrantes do grupo teriam usado senhas de forma indevida para filiar Rachel e aliados ao partido Mobiliza, provocando a desfiliação automática deles do PRTB. Os registros teriam sido publicados posteriormente com datas retroativas para dar aparência de regularidade ao procedimento.

Marçal inelegível

A presença de Avalanche na chapa de Marçal adiciona mais problemas a uma candidatura já bastante comprometida perante a Justiça. Marçal foi proibido pelo Tribunal Superior Eleitoral de participar de debates, fazer campanha em rádio e televisão e utilizar recursos do fundo eleitoral.

As restrições ocorrem pois o suposto candidato foi condenado à ineligibilidade por oito anos em três processos diferentes por irregularidades cometidas durante sua campanha para a prefeitura de São Paulo em 2024. Sua candidatura pode assim ser impugnada a qualquer momento, a depender de decisão da Justiça Eleitoral, que ainda analisa seu registro.

Elos com o PCC e outras irregularidades

O caso de Avalanche confirmado agora se soma a outras controvérsias envolvendo o presidente do PRTB. Durante a campanha de 2024, foram divulgados áudios em que ele afirma ter vínculos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O político nega qualquer ligação com a facção e também afirmou, à época, não reconhecer a própria voz na gravação.

A relação com o crime organizado aparece também na investigação descrita pelo Metrópoles. Conforme a reportagem, uma testemunha que trabalhou para Avalanche está sob proteção da Polícia Federal após relatar ter presenciado episódios envolvendo integrantes do PCC. O político ainda seria alvo de outros inquéritos federais.

O nome de Avalanche ganhou ainda mais destaque nesta semana depois que ele declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 495 milhões, dos quais cerca de R$ 491 milhões estão registrados como investimentos em criptomoedas. O montante é 847 vezes superior ao patrimônio declarado por ele em 2018, quando disputou uma vaga de deputado federal por Goiás.

Outro lado

Pablo Marçal e o PRTB ainda não se manifestaram sobre o caso. O Brasil de Fato tenta contato com Leonardo Avalanche, e o texto será atualizado caso haja manifestação.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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