O longa-metragem de animação “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo”, dirigido e roteirizado por Brenda Lígia e Edu Felistoque, teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Xangai, na China, em junho, e agora chega ao Festival de Brasília, que acontece de 11 a 19 de setembro.
O filme conta a história de um jovem africano sensível e genial que inventa a câmera fotográfica antes dos europeus. Mas a descoberta acontece no Brasil do século 19, o último país das Américas a abolir a escravidão. E Amadeo ainda vive uma paixão proibida por Linda enquanto se dedica à sua invenção.
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Brenda Lígia conta como foi a estreia do outro lado do mundo em uma cultura que desconhece os atravessamentos da negritude. A cineasta afirma que se sentiu muito acolhida e que o público foi bastante generoso.
“Foi muito interessante, eu fiquei positivamente impactada e surpresa com a recepção que os chineses tiveram com a nossa cultura, com a nossa história, porque lá não tem negros. Toda a nossa história, nosso passado escravagista, eles ficaram muito impactados pelo filme. A gente via os olhinhos da plateia brilhando e vendo aquela nossa história tão brasileira contada na tela do outro lado do mundo”, vibra.
Sobre a temática central da animação, o nosso passado escravagista, Lígia avalia que é importante conhecer a história para compreender como chegamos ao presente. “Nossa bandeira tem a mancha de sangue dos nossos ancestrais. Então é importante, sim, a gente olhar para a nossa história e entender por que, por exemplo, quando você vai a uma faculdade de medicina, não há tantos negros. Quantos médicos negros já te atenderam?”, questiona.
Brenda Lígia afirma que “Amadeo” propõe um exercício de reflexão sobre o futuro. “Como a gente pode ressignificar o futuro a partir de tudo o que aconteceu?”, questiona. “O Amadeo vem para que as próximas gerações, como meu filho, que tem 11 anos, tenham orgulho de saber que ele é um menino que tem sangue negro. Para que as próximas gerações assistam e pensem: ‘Eu posso ser cientista, cineasta, protagonista, eu posso ser o que eu quiser'”, resume.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 7h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
