Nesta sexta-feira e sábado (21 e 22), e no próximo final de semana, nos dias 28 e 29 de agosto, a CAIXA Cultural Recife, no Bairro do Recife, recebe, às 19h30, o espetáculo “As Amazônias”, que reúne as cantoras Aíla, do Pará, Djuena Tikuna, do Amazonas, e Patrícia Bastos, do Amapá. A apresentação combina música, artes visuais e tecnologia para colocar em evidência diferentes culturas e sonoridades da região Norte do Brasil.
Os ingressos para os shows custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada), vendidos pela plataforma Sympla, e as apresentações têm classificação livre e contam com acessibilidade em Libras aos sábados.
A proposta do espetáculo parte das trajetórias das três artistas e das particularidades de seus territórios para construir uma narrativa sobre a Amazônia contada por quem vive e produz cultura na região. Para Aíla, que também assina a direção artística do projeto, o encontro entre as cantoras representa uma forma de reafirmar essas identidades.
“São três vozes, três territórios, três origens diferentes, mas que têm muitas coisas em comum, e uma delas é a vontade de falar dessa Amazônia em primeira pessoa por vozes femininas. O espetáculo é um ato de resistência, é também um ato político”, afirmou a cantora paraense em entrevista à Rádio Brasil de Fato.
No palco, cada artista apresenta referências ligadas à sua origem. Patrícia Bastos leva elementos da cultura amapaense, com ritmos tradicionais como o marabaixo e o batuque do Curiaú. Indicada ao Grammy Latino em 2017, a cantora e compositora é reconhecida pelo trabalho de valorização das sonoridades e narrativas do Amapá.
Djuena Tikuna, do Amazonas, coloca no centro da apresentação a cultura do povo Tikuna. Suas composições são interpretadas integralmente na língua originária, estabelecendo uma relação direta entre música, ancestralidade, memória e resistência dos povos indígenas.
Já Aíla representa a produção musical contemporânea do Pará, transitando por gêneros e referências como carimbó, brega, música latina e zouk love. Cantora, compositora, pesquisadora musical e multiartista, ela também desenvolve trabalhos que aproximam música e questões sociais.
A união dessas diferentes linguagens resulta em um espetáculo audiovisual que busca ampliar o olhar do público sobre a produção cultural amazônica. A música divide espaço com imagens e recursos tecnológicos, criando uma experiência que conecta os diferentes territórios, idiomas e manifestações presentes no projeto.
Segundo Aíla, a reação do público em outras cidades por onde o espetáculo passou reforça a importância de apresentar essas narrativas fora da região Norte.
“É um show bem vibrante e muita gente sai, mesmo sem nunca ter ouvido as canções antes, muito extasiada, emocionada, muita gente chorando. Parece até exagero falar desse jeito, mas a gente acabou de fazer Curitiba e teve muitos depoimentos (que em breve a gente vai soltar na internet) de pessoas emocionadas com o espetáculo em perceber que precisam ter outros olhos para o norte do Brasil”, destacou Aíla.
Além dos quatro shows, a programação no Recife inclui uma atividade de formação. No dia 29 de agosto, das 11h às 13h, Aíla ministra gratuitamente a oficina “Estratégias para Artistas Independentes: Música e Mercado”. A atividade é voltada para artistas independentes, músicos, produtores culturais, estudantes, pesquisadores e pessoas interessadas em música, gestão cultural e mercado criativo.
A partir de sua própria experiência profissional, a artista propõe uma conversa sobre os caminhos possíveis para quem trabalha de maneira independente com música autoral e contemporânea, compartilhando reflexões sobre atuação profissional e mercado cultural.
