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Bancários paralisam atividades em Santa Maria e região e reforçam mobilização nacional

Em Santa Maria, 23 das 26 agências bancárias tiveram as atividades paralisadas

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Bancários e bancárias de Santa Maria e região aderiram, nesta quinta-feira (20), à paralisação nacional da categoria
Bancários e bancárias de Santa Maria e região aderiram, nesta quinta-feira (20), à paralisação nacional da categoria | Crédito: Nathália Arantes

Bancários e bancárias de Santa Maria e região aderiram, nesta quinta-feira (20), à paralisação nacional da categoria em meio ao impasse nas negociações da Campanha Nacional Unificada de 2026. Na cidade, 23 das 26 agências bancárias tiveram as atividades paralisadas, uma adesão de cerca de 88%. A mobilização ocorreu após a rejeição, por 97% dos trabalhadores, da proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

Desde o início da manhã, trabalhadores se concentraram em frente à Agência Centro do Banrisul, no centro de Santa Maria. A paralisação também alcançou outros municípios da base do Sindicato dos Bancários de Santa Maria e Região, que representa a categoria em 25 cidades.

Categoria rejeita proposta dos bancos

Na rodada realizada no dia 13 de agosto, os bancos propuseram o congelamento do piso de ingresso para novos bancários e reajustes diferenciados para três faixas salariais, sem apresentar os parâmetros das faixas ou os percentuais de reajuste. Durante a negociação, a Fenaban também chegou a propor valores diferenciados dos vales refeição e alimentação, com reajustes menores para trabalhadores de cidades do interior.

Após a rejeição da proposta nas assembleias realizadas em todo o país, a Fenaban retirou esses pontos da mesa de negociação na terça-feira (18). Apesar do recuo, os bancos não apresentaram um índice de reajuste salarial, mantendo sem definição um dos principais pontos da Campanha Nacional.

Na mesma rodada, a Fenaban questionou a paralisação aprovada por 90% da categoria e condicionou a continuidade das negociações à desistência do movimento desta quinta-feira. O Comando Nacional dos Bancários recusou a condição.

Mobilização mostra a força do interior

Para Juciléia Fraga Bastos Pereira, diretora e secretária de Comunicação do Sindicato dos Bancários de Santa Maria e Região, a adesão demonstrou a força da mobilização também no interior e aumentou a pressão por avanços concretos nas negociações.

“Esse movimento é muito importante porque já tivemos diversas rodadas de negociação e a Fenaban e os bancos não demonstram respeito pela categoria. Com a proposta que foi rejeitada na assembleia de segunda-feira, que dividia ainda mais os trabalhadores, estamos mostrando que a categoria não vai aceitar nenhum retrocesso ou perda de direitos”, afirmou.

A dirigente destacou ainda que a paralisação sinaliza a disposição dos bancários em ampliar a mobilização caso não haja avanços. “Estamos prontos, se for necessário, para fazer uma greve. Depois de dez anos sem greve, é muito importante ver os colegas unidos. Aqui no centro de Santa Maria temos praticamente todas as agências fechadas”, ressaltou.

Bancários cobram valorização e garantia de emprego

Também presente na mobilização, Carilo Marzari Machado, bancário do Banrisul, diretor do Sindicato e secretário de Formação, relacionou as reivindicações da categoria aos resultados econômicos do setor. Em 2025, o patrimônio líquido dos bancos chegou a R$ 1,2 trilhão, enquanto o lucro por empregado foi de R$ 438 mil.

“Os bancos lucram bilhões, adoecem milhares de bancários por esse país, e o que a gente ganhou até então foi uma tentativa de congelamento de salários, de divisão da categoria em faixas salariais com aumentos diferenciados e a tentativa de dar aumento diferenciado no vale-alimentação, com menor aumento para o interior”, criticou.

Os números do setor também contrastam com a redução da estrutura de atendimento e do emprego bancário. Entre 2015 e 2025, foram fechados 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências bancárias no país. No mesmo período, os cinco maiores bancos aumentaram em 49% os contratos com correspondentes bancários.

Para Carilo, a paralisação foi uma resposta à postura dos bancos nas negociações e a mobilização deve continuar até que a categoria receba uma proposta que contemple suas reivindicações. “Se tiver que paralisar de novo, a gente vai paralisar de novo, até que venha uma proposta decente, com aumento real, valorização do trabalho e garantia de emprego”, reforçou.

A mobilização desta quinta-feira antecede a retomada das negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, marcada para segunda-feira (24). A adesão registrada em Santa Maria e nos demais municípios da base reforçou a participação dos trabalhadores do interior na mobilização nacional da categoria.

Editado por: Vivian Virissimo

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