Inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos de terra: cerca de 4.500 municípios brasileiros, 80% do total, têm vulnerabilidade média, alta ou muito alta a desastres geo-hidrológicos, segundo levantamento do Observatório do Clima, divulgado nesta sexta-feira (21).
A situação é ainda mais preocupante em 68% das cidades, ou 3.769 municípios, com risco médio, alto ou muito alto de inundações, enxurradas e alagamentos, 27% do total com risco alto ou muito alto. Os deslizamentos de terra são uma possibilidade real para metade (53%) das cidades brasileiras, cerca de 19% com risco alto ou muito alto.
Elaborado com dados do Sistema de Informações e Análises sobre Impactos das Mudanças Climáticas (AdaptaBrasil), o estudo mostra riscos distintos em todo o país, com inundações mais intensas na Amazônia, nas grandes bacias e em áreas urbanas, e deslizamentos nas regiões serranas do Sudeste e do Sul e partes do litoral nordestino.
As regiões Norte e Nordeste encabeçam essas listas. Entre as capitais, Salvador (BA) tem maiores riscos de inundações e deslizamentos, seguida de Belém (PA), Manaus (AM) e Macapá (AP). No Nordeste, estão ainda Recife (PE), Maceió (AL), João Pessoa (PB) e Aracaju (SE).
O AdaptaBrasil combina a sensibilidade que uma cidade tem a eventos climáticos extremos com sua capacidade adaptativa, ao longo de uma década. As projeções são de aumento dos riscos nas próximas décadas, mesmo nos cenários climáticos mais favoráveis.
Além de geograficamente, o estudo aponta que a vulnerabilidade está diretamente ligada às condições socioeconômicas.
