Trabalhadores da educação participaram, na manhã desta sexta-feira (21), de um ato organizado pelo Cpers Sindicato, em Porto Alegre. Com o lema “Enterro do Governo Leite (PSD) e sua base aliada”, a manifestação começou com concentração em frente ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), seguida de caminhada até o Palácio Piratini, onde ocorreu o ato principal.
A mobilização foi aprovada pelo Conselho Geral do Cpers em defesa dos direitos dos servidores e contra medidas que, segundo o sindicato, atingem a categoria, como congelamento e perdas salariais, ataques às carreiras, confisco previdenciário, sucateamento do IPE Saúde e avanço das parcerias público-privadas (PPPs) na educação pública.
Cpers critica políticas do governo estadual
A presidenta do Cpers, Rosane Zan, afirmou que o ato simbolizava o encerramento de um ciclo de políticas que, segundo ela, atingiram a educação pública e os servidores estaduais. Durante a manifestação, um caixão foi utilizado como elemento simbólico para representar as medidas que o sindicato pretende “enterrar”.

“Este é o momento de enterrar todas essas políticas que quem é educadora e educador sentiu na pele por esses últimos 12 anos de governos”, afirmou. Segundo Zan, governos como os de Eduardo Leite e José Ivo Sartori adotaram políticas de austeridade e reformas administrativas que atingiram os trabalhadores da educação.
Ainda durante a manifestação, a presidenta afirmou: “Nós colocaremos dentro desse caixão tudo aquilo que faz e que não vai mais fazer parte. Nós vamos enterrar o governo Leite, PSDB e sua base aliada”.
A secretária-geral do Cpers, Suzana Lauermann, relacionou as críticas do sindicato às políticas adotadas nos últimos anos e afirmou que os efeitos atingem professores, funcionários, aposentados e mulheres.

“Não são só oito anos de governo Leite, são 12 anos de ataque à nossa categoria, a todos os servidores públicos e também às mulheres do estado do Rio Grande do Sul”, afirmou.
Lauermann também criticou a política de valorização salarial do governo estadual. “A gente quer valorização de verdade e não um fake 14º salário”, declarou. Ela defendeu medidas com impacto permanente na remuneração dos trabalhadores e na aposentadoria.
Sandra Beatriz Silveira, do Cpers, criticou o que classificou como “ditadura das planilhas” nas escolas estaduais, em referência à burocracia enfrentada pelos professores. Ela também se posicionou contra as parcerias público-privadas.

“Representa a morte das PPPs, das Parcerias Público-Privadas”, afirmou. Silveira também criticou a retirada de direitos de professores e funcionários aposentados e defendeu que um próximo governo estabeleça diálogo com a categoria.
CUT defende participação eleitoral
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Amarildo Cenci, afirmou que a classe trabalhadora vive um momento decisivo diante das eleições. Para ele, a mobilização sindical deve também se refletir na escolha dos próximos representantes políticos.

“Temos 43 dias para decidir quem vai governar o Rio Grande do Sul e temos 43 dias para quem vai governar o Brasil”, afirmou.
Cenci também criticou o processo de privatização dos serviços públicos e defendeu a participação dos trabalhadores na campanha eleitoral.
“Nós vamos fazer é campanha para escolher quem nós queremos governando o estado e o Brasil”, declarou.
Núcleos do Cpers criticam governo e base aliada
Representando o Núcleo 11, de Cruz Alta, Mari Andreia defendeu que a luta sindical também seja levada à disputa política durante o período eleitoral.

“O simbolismo deste ato tem que ser o enterro deste governo como um todo. O Leite, a Raquel e o seu vice, Gabriel, que tem a ousadia de se candidatar para continuar com a destruição da educação pública”, afirmou.
Do Núcleo 18, de Santa Cruz do Sul, Sandra Santos afirmou que o ato também representa a defesa do caráter público da educação. Ela criticou as parcerias público-privadas e a falta de autonomia administrativa, pedagógica e de gestão nas escolas.

“É por isso que a gente tá aqui, porque quando a gente faz as caravanas e quando a gente faz os atos, é para dizer que o que é público é nosso”, afirmou.
Santos também defendeu que o posicionamento dos parlamentares seja considerado pelos eleitores. “O nosso voto, ele tem que representar muito mais do que uma cadeira na Assembleia Legislativa”, declarou.
Ela também relacionou a disputa estadual ao cenário nacional e defendeu a eleição de candidatos alinhados às pautas defendidas pelo movimento sindical.
Marino Simon, do Núcleo 35, de Três de Maio, criticou os deputados estaduais que, segundo ele, apoiaram medidas do governo Eduardo Leite que afetaram os servidores.

“Estes não devem mais voltar para esta casa. Esta casa deve ter legítimos representantes que olhem para os servidores públicos”, afirmou.

