Belo Horizonte recebe, neste sábado (22), o lançamento de “O Que Vem Antes da Violência”, novo livro de Nilmário Miranda. O evento será realizado às 14h, no Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), na capital mineira. Com o subtítulo Como municípios de Minas Gerais protegem mulheres, crianças e comunidades, a obra propõe uma reflexão sobre as condições sociais e políticas que antecedem situações de violência e sobre como o poder público pode atuar para preveni-las.
A publicação parte da ideia de que o enfrentamento da violência não deve começar apenas depois que um crime acontece. Para o autor, políticas públicas permanentes, redes de proteção, participação social e articulação entre diferentes instituições são fundamentais para criar condições que impeçam que situações de violência cheguem ao extremo.
Em entrevista ao Brasil de Fato MG sobre o livro, Nilmário destaca especialmente o feminicídio. Segundo ele, a experiência de municípios que passam anos sem registrar homicídios ou feminicídios demonstra que a segurança pública é apenas uma parte da estratégia de prevenção.
“O que eu estou mostrando é que o feminicídio não se combate só com segurança pública, combate com políticas públicas”, afirma.
Na avaliação do autor, cidades que conseguem reduzir situações de violência apresentam também características relacionadas à convivência social. O respeito às diferenças, a liberdade religiosa e o enfrentamento ao racismo e à homofobia, por exemplo, fazem parte de um conjunto de condições que podem contribuir para uma cultura de paz.
“Essas cidades conseguiram uma convivência. Ou seja, você não combate o feminicídio só com política de segurança”, explica.
Rede de proteção
A proposta do livro também chama atenção para a necessidade de articulação entre os órgãos responsáveis pela segurança, Justiça e proteção social. Nilmário cita a importância da atuação conjunta do Ministério Público, das polícias Civil e Militar, das guardas municipais e da Polícia Federal, além de mecanismos de controle e participação social.
“Para a prevenção à violência, é preciso uma cidade em que o Ministério Público se junta com as polícias Civil e Militar, junto com a Guarda, junto com a Polícia Federal. Tudo isso é necessário”, afirma.
Para ele, entretanto, a atuação dessas instituições precisa estar associada a políticas públicas e à participação de conselhos e organizações da sociedade. A prevenção, nessa perspectiva, não se resume à repressão de crimes, mas envolve a construção de uma rede capaz de identificar vulnerabilidades e agir antes que a violência aconteça.
É nesse ponto que a obra aproxima o debate sobre direitos humanos da realidade dos municípios. São as administrações locais que executam diretamente uma parcela importante das políticas de assistência social, educação, saúde, proteção de crianças e adolescentes e atendimento às mulheres.
Crianças e prevenção
Outro eixo destacado no lançamento é a proteção de crianças e adolescentes. A campanha de divulgação do livro utiliza a frase “Criança não é mãe” para abordar a violência contra meninas e a necessidade de garantir condições adequadas para o desenvolvimento infantil.
Para Nilmário, políticas de proteção também precisam atuar sobre as circunstâncias que levam à gravidez infantil e à violação de direitos. A prevenção, portanto, deve envolver não apenas os órgãos de segurança, mas também serviços públicos e redes comunitárias.
A discussão se relaciona ainda à ideia central da publicação: compreender “o que vem antes” da violência. Em vez de esperar que a agressão, o abuso ou o feminicídio aconteçam, a proposta é identificar fatores de vulnerabilidade e fortalecer mecanismos capazes de interromper esse processo.
Serviço
Lançamento do livro O Que Vem Antes da Violência
Autor: Nilmário Miranda
Data: 22 de agosto de 2026
Horário: 14h
Local: Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB)
Endereço: Avenida Prudente de Morais, 202, Cidade Jardim, Belo Horizonte (MG)
