Rios seguem em nível de inundação no sul do Rio Grande do Sul nesta sexta-feira (21), após dias de chuva forte que provocaram cheias e obrigaram famílias a deixar as casas. Enquanto as águas permanecem elevadas em diferentes pontos, o afastamento de um ciclone extratropical mantém rajadas fortes no litoral e em áreas do leste gaúcho, antes da chegada de uma massa de ar polar que deve derrubar as temperaturas no fim de semana.
No fim da manhã de sexta, o ClimaRS apontava inundação em Quaraí e Dom Pedrito. O rio Quaraí marcava 9,86 m às 11h e havia subido 7 cm na hora anterior. A Defesa Civil mantinha alertas vermelhos, de risco muito alto, para inundação no município.
Em Dom Pedrito, o rio Santa Maria estava em 11,37 m às 11h30, também em nível de inundação, mas apresentava estabilidade. Em Jaguarão, a estação de Passo das Pedras seguia em alerta de inundação, embora registrasse recuo do nível.
Cheias persistem no sul do estado
Os impactos começaram antes da formação do ciclone. Municípios do sul gaúcho enfrentam alagamentos, estragos em estradas e elevação de rios desde o último fim de semana, após uma sequência de chuva intensa.
Jaguarão está entre os municípios mais afetados. O balanço da Defesa Civil registrava residências atingidas, retirada preventiva de moradores e aproximadamente 2 mil quilômetros de estradas rurais afetados em localidades do interior.
O balanço estadual atualizado na tarde de quinta-feira (20) registrava danos em 12 municípios: Aceguá, Alegrete, Bagé, Cerrito, Dom Pedrito, Getúlio Vargas, Jaguarão, Pedras Altas, Pelotas, Pinheiro Machado, Santa Vitória do Palmar e Santana do Livramento.
Segundo o levantamento, 18 pessoas estavam desabrigadas e 199 desalojadas. Jaguarão concentrava 172 desalojados e 5 desabrigados, enquanto Dom Pedrito tinha 13 desabrigados e 10 desalojados. Pedras Altas registrava 12 desalojados e Arroio Grande, 5. Em Bagé, 59 residências tiveram danos nos telhados.
Em Cerrito, houve desabastecimento de água, danos em residências, pontes submersas e vias obstruídas por quedas de árvores. Pedras Altas também registrou problemas em bueiros e pontes, dificuldade de acesso a escolas e no abastecimento de água, além de casas alagadas.
Ciclone mantém vento forte
O ciclone extratropical que se formou entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul na quinta-feira se afastava pelo oceano nesta sexta. Mesmo assim, a circulação do sistema ainda provocava vento moderado a forte, principalmente no sul e no leste gaúcho.
Segundo a MetSul Meteorologia, eram esperadas rajadas de 50 km/h a 70 km/h, podendo atingir entre 70 km/h e 90 km/h em alguns pontos, sobretudo sobre a Lagoa dos Patos, no extremo sul de Porto Alegre e em áreas da costa. A previsão indicava enfraquecimento do vento conforme o ciclone aumentasse a distância do continente.
Massa polar traz temperaturas negativas e geada
Depois da chuva e do vento, o frio passa a predominar. Uma massa de ar frio e seco de origem polar avança pelo Rio Grande do Sul, com o período de maior intensidade previsto entre sábado (22) e terça-feira (25), segundo a MetSul.
A maioria das cidades gaúchas deve registrar mínimas entre 0°C e 5°C no fim de semana e no começo da próxima semana. Temperaturas abaixo de zero são esperadas principalmente no sul, na campanha gaúcha, na fronteira com o Uruguai, no Planalto Médio, na Serra, nos Campos de Cima da Serra e no Alto Uruguai.
Em áreas de maior altitude e baixadas, os termômetros podem chegar a marcas entre -3°C e -5°C no começo da próxima semana. O tempo mais seco, o céu aberto e o vento fraco também favorecem a formação de geada.
Em Porto Alegre, as madrugadas entre domingo (23) e terça-feira podem ter mínimas de 6°C a 8°C. No sul da Capital e em pontos da região Metropolitana, a temperatura pode cair para 2°C a 4°C, com possibilidade de geada fraca.
