Presidente instável

Trump não é confiável e eleições brasileiras seguem no alvo, analisa internacionalista

Gustavo Menon avalia que o Brasil deve manter a postura diplomática sem abrir mão da busca por um mundo multipolar

No audio source provided.
Lula e Trump, durante encontro em Kuala Lumpur, na Malásia, em 26 de outubro.
Lula e Trump, durante encontro em Kuala Lumpur, na Malásia, em 26 de outubro. | Crédito: Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fizeram uma reunião de quase uma hora e meia por telefone para falar sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros nesta sexta-feira (21). Na ligação, Lula afirmou que as tarifas são infundadas. “Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os Estados Unidos, [Lula] afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países”, apontou comunicado oficial sobre o telefonema.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Gustavo Menon, docente na Universidade Católica de Brasília (UCB) e no Prolam-USP, pondera que, apesar da aparente abertura de diálogo, Trump não é confiável. Assim, não é possível presumir maior negociação sobre as tarifas no curto prazo.

“Estamos falando de uma série de declarações que, do dia para a noite, mudam de teor em termos dessa nova política externa dos EUA. Nesse sentido, é recomendável muita calma e parcimônia, uma vez que sabemos que o grande alvo do líder estadunidense neste semestre é o processo eleitoral brasileiro“, destaca, recordando os esforços para implementar o Escudo das Américas, projeto militar de Trump para a região latina do continente.

Gustavo Menon reforça que a Casa Branca vem atuando com “políticas unilaterais, arbitrárias e profundamente ilegais no sentido de avançar com esse recrudescimento das políticas de interferências”, e isso não é uma exclusividade do Brasil. “Os EUA estão concebendo a região da América Latina como um todo, incluindo o Brasil, como uma região de sua histórica influência, e isso acaba se cristalizando na própria formulação da política de defesa hemisférica, compreendendo organizações criminosas como grupos narcoterroristas. Então, todo mundo vira terrorista”, afirma Menon, lembrando o episódio ocorrido em 3 de janeiro, quando o governo Trump atacou a Venezuela e sequestrou o presidente Nicolás Maduro.

O analista avalia que Lula tem colocado a soberania do Brasil como prioridade, mostrando que podemos negociar com qualquer outra nação do mundo. “Lula tem procurado manter as melhores tradições diplomáticas e de diálogo, conseguindo manter boas relações com os EUA, mas sem deixar de lado a multipolaridade. Por isso, estamos vendo agendas do Brasil que buscam alternativas para forjar essa ordem multipolarizada”, explica. “Precisamos estar muito atentos aos próximos passos da Casa Branca, especialmente nesse período eleitoral”, alerta.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

|

Newsletter