ASSISTA

‘Podcast não é rádio’: KL Jay e niLL celebram a força da música no ‘Estúdio 98’

Parceria entre o DJ do Racionais MCs e o rapper na Rádio Brasil de Fato celebra a força histórica do rádio e Hip Hop

No audio source provided.

Para quem costuma resumir o podcast como uma versão moderna do rádio, o DJ KL Jay, cofundador do Racionais MCs, tem uma resposta direta na ponta da língua: “De uma forma bem simples, a diferença é a música. Podcast não tem música. Tem podcast que é só besteira, mas o nosso programa tem música e muita ideia boa”, sintetiza o veterano para o Bem Viver, programa do Brasil de Fato.

​É sob essa premissa que acontece o Estúdio 98, novo programa da Rádio Brasil de Fato. Transmitido todas as quintas-feiras, às 20h, pela 98.9 FM na Grande São Paulo e pelo site oficial do veículo, a atração reúne KL Jay e o rapper niLL. Durante duas horas, o público acompanha um set exclusivo intercalado por conversas e intervenções sem amarras.

​A ausência de um roteiro engessado é apontada por KL Jay como o grande diferencial do projeto. “É um programa de rádio livre, não é nos moldes normais. A gente toca vários tipos de som que influenciam muita gente”, explica.

​Para niLL, a proposta traz um sopro de frescor às ondas sonoras por conta da curadoria musical apurada. “A gente vem tentando trazer uma nova proposta de rádio, com músicas que não são encontradas em qualquer lugar, porque a curadoria dele [KL Jay] é única”, destaca o rapper.

​A rádio como pilar do rap nacional

​A criação do Estúdio 98 não acontece por acaso; trata-se de um resgate histórico. No início do movimento hip-hop no Brasil, quando o rap era marginalizado e ignorado pelas emissoras comerciais, foram as rádios comunitárias e piratas que garantiram a circulação do ritmo. Era na subversão da frequência modulada que as rimas encontravam eco.

​Natural de Jundiaí, no interior de São Paulo, niLL recorda como a rádio local foi determinante em sua formação cultural e no alcance do gênero pelo país. “A rádio foi muito importante para eu me envolver com o rap”. Eu sou de Jundiaí e”, diz. “A gente tinha uma rádio de rap lá muito forte [o programa Espaço Rap]. O único som que vinha da minha casa era o rádio. O rap em São Paulo, no Nordeste e no Sul teve muita contribuição da rádio. Foi muito difícil o rap conseguir esse espaço, mas mostrou o valor que tinha.”

​O DJ e técnico de som responsável pelo programa, Adilson Oliveira, compartilha do mesmo sentimento. Ele lembra que o primeiro contato transformador com o universo musical aconteceu aos 12 anos, quando ganhou um rádio boombox capaz de sintonizar estações internacionais. “O rádio era o meio que trazia as novidades porque a gente não tinha acesso, não podia sair. O rádio foi a porta para eu me envolver no mundo da música”, conta.

​Conectividade além da internet

​Em uma era dominada por algoritmos e plataformas digitais de streaming, Oliveira faz questão de pontuar o papel social da radiodifusão, que continua alcançando parcelas da população que estão à margem da hiperconexão. “A gente acha que todo mundo está globalizado, mas não é bem assim. Acho que o rádio é importante para as pessoas que não têm acesso a toda essa tecnologia. Tem muita gente que só escuta rádio”, argumenta.

​É esse poder democrático e terapêutico que move KL Jay a continuar no ar. “O grande lance da rádio é pôr música, e a música tem esse poder de cura, de fazer você ir para o futuro, voltar no passado, lembrar de coisas. A rádio põe música para as pessoas, e música é o remédio da pessoa”, afirma o DJ.

​Aos que questionam sua disposição para manter um programa semanal de rádio, ele rebate com paixão pelo ofício: “Eu estou mais velho, tem dias que dá uma preguiça, mas eu amo rádio, amo pôr música e conectar as pessoas.”

E tem mais…

O Bem Viver traz também uma viagem até as margens do Rio Amarelo, na China, onde Mauro Ramos mostra um sistema agroflorestal ancestral com mais de 9 mil pereiras, algumas com mais de 500 anos!

A chef Gema Soto ensina a receita de um delicioso “Mil-Folhas de Maçã” e mostra como aproveitar as cascas para fazer uma infusão especial com canela.

Conheça a iniciativa do movimento Canteiros Coletivos, que mobiliza moradores para transformar e verdejar os espaços públicos de Salvador (BA).

E uma visita à Comuna Panal 21, no bairro 23 de Enero, em Caracas (Venezuela), mostra como o povo organizado transforma o território com moradia, rádio comunitária, esporte e até aulas de robótica.

Dica de Doc: Saiba mais sobre o documentário “Queimar os Céus: Fidel e Cuba Socialista”, já disponível no Youtube do Brasil de Fato.

Quando e onde assistir?

No YouTube do Brasil de Fato, todo sábado às 12h55, tem programa inédito. Basta clicar aqui.

Na TVT: sábado às 13h; com reprise domingo às 6h30 e terça-feira às 20h no canal 44.1 – sinal digital HD aberto na Grande São Paulo e canal 512 NET HD-ABC.

Na TV Brasil (EBC), sexta-feira às 6h30.

Na TVE Bahia: sábado às 12h30, com reprise quinta-feira às 7h30, no canal 30 (7.1 no aparelho) do sinal digital.

Na TVCom Maceió: sábado às 10h30, com reprise domingo às 10h, no canal 12 da NET.

Na TV Floripa: sábado às 13h30, reprises ao longo da programação, no canal 12 da NET.

Na TVU Recife: sábados às 12h30, com reprise terça-feira às 21h, no canal 40 UHF digital.

Na UnBTV: sextas-feiras às 10h30 e 16h30, em Brasília, no Canal 15 da NET.

TV UFMA Maranhão: quinta-feira às 10h40, no canal aberto 16.1, Sky 316, TVN 16 e Claro 17.

Sintonize

No rádio, o programa Bem Viver vai ao ar toda sexta-feira às 10h30, na Rádio Brasil de Fato. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo. Além de ser transmitido pela Rádio Agência Brasil de Fato.

O programa conta também com uma versão especial em podcast, o Conversa Bem Viver, transmitido pelas plataformas Spotify, Google Podcasts, iTunes, Pocket Casts e Deezer.

Assim como os demais conteúdos, o Brasil de Fato disponibiliza o programa Bem Viver de forma gratuita para rádios comunitárias, rádios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conteúdo. Para ser incluído na nossa lista de distribuição, entre em contato por meio do formulário.

Editado por: Marina Duarte de Souza

|

Newsletter