O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) voltou a defender, neste sábado (22), uma “anistia ampla, geral e irrestrita” para Jair Bolsonaro e demais condenados e investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A declaração ocorreu durante o lançamento da candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, na zona norte da capital fluminense.
Ao pedir votos para os candidatos do PL ao Senado Carlos Jordy e Carlos Portinho, Flávio afirmou que pretende contar com o apoio dos dois no Congresso para aprovar a medida e também para “libertar Jair Messias Bolsonaro”, seu pai, que cumpre prisão domiciliar.
“Eu vou precisar do Jordy e do Portinho para aprovar a anistia ampla, geral e irrestrita aos perseguidos do 8 de janeiro. Eu vou precisar do Jordy e do Portinho para libertar Jair Messias Bolsonaro”, afirmou.
O discurso também foi marcado por propostas de endurecimento da política de segurança pública. Flávio disse que, caso eleito, pretende classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como grupos terroristas. O discurso está alinhado às ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, sob críticas do governo brasileiro, classificou as organizações como terroristas.
“Já tô avisando, marginais, narcoterroristas, vocês têm até dezembro desse ano para meter o pé do Brasil. Porque, a partir de janeiro do ano que vem, nós vamos declarar guerra aos narcoterroristas”, declarou.
Em outro momento, o candidato afirmou que criminosos serão “tirados de circulação em pé ou deitado”, em uma fala que associa o combate à criminalidade à possibilidade de morte de suspeitos.
Flávio ainda prometeu a castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças. A medida é considerada inócua por organizações como a Rede Justiça Criminal. Um dos argumentos é que a intervenção não atinge a causa das violências sexuais e não impede a reincidência.
“Essa visão relaciona o crime a fatores estritamente biológicos, que são a libido e a ereção, ignorando todas as causas sociais e culturais que levam à ocorrência do crime. Essa visão é restrita por não considerar as relações desiguais entre os gêneros e, consequentemente, não resolve o problema”, diz nota publicada no site da organização.
“A motivação para alguém cometer violência sexual pode ocorrer por múltiplos fatores, como questões psicológicas, que seguirão presentes mesmo com a castração química”, ressalta a Rede.
Em relação à legislação penal, afirmou que buscará reduzir para 14 anos a maioridade penal em casos de estupro.
Sem mencionar a responsabilização dos estados na segurança pública, o candidato associou o avanço da violência ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que o país precisa “derrotar o PT”. Durante o discurso, fez ataques ao presidente e ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e afirmou que seu projeto pretende “devolver as ruas para o povo brasileiro”.
Flávio usou ainda o tema da violência contra mulheres para apresentar propostas de proteção a vítimas de agressões e defendeu o uso de tecnologia para monitorar medidas protetivas. Apesar do aceno da campanha ao eleitorado feminino, um levantamento realizado pela Agência Pública aponta que o candidato bolsonarista apresentou apenas três propostas de lei sobre segurança da mulher em 24 anos de carreira política.
O ato do Maracanãzinho marcou o lançamento da candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio de Janeiro. Durante o evento, Flávio também pediu votos para Carlos Jordy e Carlos Portinho, candidatos do PL ao Senado, e afirmou que pretende contar com uma bancada aliada para aprovar suas propostas no Congresso.
