O Irã autorizou a travessia de alguns petroleiros iraquianos pelo Estreito de Ormuz, após solicitações enviadas pelo governo de Bagdá. A informação sobre a abertura excepcional da rota marítima foi divulgada neste sábado (22) pela agência estatal de notícias iraniana Irna e confirmada por lideranças do Iraque.
A medida de facilitação ocorre em um contexto de restrições de segurança na via marítima decorrentes da guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o país persa.
O fechamento da rota estratégica, por onde transitavam 20% de todo o gás natural liquefeito e do petróleo consumidos no mundo antes do conflito, foi agravado por um bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos.
A economia iraquiana apresenta alta dependência das exportações de combustíveis fósseis e, de acordo com a agência Irna, o país vizinho não dispõe de rotas alternativas imediatas para escoar a maior parte de sua produção de óleo bruto.
Conforme informações da agência Reuters, a facilitação para a passagem dos cargueiros era uma das principais exigências formuladas por Bagdá na pauta de discussões com o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, em visita oficial ao país vizinho.
Antes do início dos confrontos militares, o Iraque registrava uma produção estimada em cerca de 4 milhões de barris de petróleo diários. Para fazer frente ao gargalo de escoamento em Ormuz, as autoridades iraquianas aceleram planos de escoamento por rotas alternativas.
Conforme as diretrizes diplomáticas de Teerã divulgadas pela agência Irna, a circulação total de embarcações comerciais só será restabelecida quando os Estados Unidos suspenderem o bloqueio naval, encerrarem as sanções econômicas contra o setor petrolífero iraniano e devolverem ativos financeiros do Irã retidos em bancos no exterior.
A resistência diplomática do Irã ocorre no momento em que Washington endurece sua política externa na região, tendo anunciado sanções de isolamento a quaisquer instituições financeiras ou empresas de aviação que deem suporte a Teerã.
Em publicação no X, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que a conduta coercitiva do governo estadunidense representa uma invasão da soberania extraterritorial e equivale a uma tentativa de retrocesso ao colonialismo clássico.
