O presidente do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta sexta-feira (21) que seu país precisa se planejar para superar as “sanções cruéis”, após o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciar o que descreveu como as tarifas mais duras já impostas ao Irã, segundo o canal de Ghalibaf no Telegram.
“Se analisarmos os recursos e as matérias-primas dos países muçulmanos, perceberemos que nossos inimigos estão vindo para saqueá-los, portanto, devemos planejar sanções severas para superar essa situação”, disse ele.
Ghalibaf, que está em viagem ao Iraque, pediu a Bagdá que coopere com Teerã em meio à guerra, afirmando que “os americanos e israelenses perceberam que não podem prevalecer contra o Irã e o Iraque em uma guerra militar convencional”.
“Portanto”, acrescentou ele, “eles entraram em guerra cognitiva e guerra econômica, e agora vocês são os soldados e comandantes neste campo de batalha.”
Bessent declarou que “qualquer vínculo remanescente com Teerã acelerará o declínio econômico de uma nação, seja esse vínculo construído propositadamente ou ignorado deliberadamente”, escreveu nas redes sociais na noite de quinta-feira (20).
Os Estados Unidos já impuseram sanções à economia e à liderança do Irã, e o governo Trump já havia sancionado empresas e organizações estrangeiras que negociam com Teerã, mas Washington sugeriu esta semana que autoridades estavam preparando medidas para atingir países que compram petróleo iraniano.
O presidente Donald Trump também prometeu um “Dia D econômico” contra Teerã e jurou “tremendas consequências econômicas” para os países que fazem negócios com o país persa.
Na quinta-feira, Washington afirmou que o Hezbollah — grupo apoiado pelo Irã no Líbano — seria designado como afiliado do regime iraniano sob o comando da Guarda Revolucionária, e o anúncio veio acompanhado de novas sanções contra 10 indivíduos acusados de trabalhar no contrabando de dinheiro para a milícia.
Sanções mais abrangentes que visem a capacidade do Irã de exportar petróleo agravariam os desafios econômicos de Teerã, já que a guerra e o bloqueio norte-americano paralisaram setores-chave da economia e a população enfrenta inflação muito alta.
Nesse sentido, na quinta-feira, Shamseddin Hosseini, presidente da Comissão Econômica do Parlamento iraniano, afirmou que era importante para o Irã reduzir a dependência dos portos do sul do país, onde o bloqueio dos EUA está em vigor, e expandir as rotas comerciais por meio da fronteira terrestre no nordeste, de acordo com a mídia estatal iraniana.
“Para sair da situação atual, é preciso mudar o rumo da política econômica”, disse Hosseini, de acordo com as reportagens.
