O grupo SaGrama realiza na próxima terça-feira (25), às 20 horas, no Teatro de Santa Isabel, no bairro de Santo Antônio, no Recife, um concerto dedicado à obra do músico e compositor Dimas Sedícias. A apresentação reúne os dez integrantes do grupo e quatro instrumentistas convidadas, em uma noite que pretende revisitar a contribuição do artista para a construção da sonoridade do SaGrama e para a aproximação entre a música de concerto e as tradições populares de Pernambuco. Os ingressos custam R$ 80 (inteira) e R$ 40(meia-entrada), vendidos pela plataforma Guichê Web.
Embora nunca tenha integrado oficialmente a formação do SaGrama, Dimas Sedícias manteve uma relação próxima com o grupo desde seus primeiros anos e teve participação importante na definição de caminhos musicais que seriam incorporados ao repertório. A parceria começou por volta de 1995, quando o conjunto ainda experimentava combinações de timbres e possibilidades para reinterpretar a música nordestina.
Compositor de obras como “Riacho Encantado” e “Suíte Matuta”, Sedícias também assina peças que se tornaram conhecidas dentro do repertório do SaGrama, entre elas “Papagaio de Papel” e “Aspectos de uma Feira”. O concerto no Santa Isabel será uma oportunidade para recuperar essas criações e destacar os recursos sonoros utilizados pelo músico em suas composições.
A relação entre Dimas e o grupo foi marcada pela experimentação. Segundo Sérgio Campelo, flautista e um dos fundadores do SaGrama, o compositor estimulou os músicos a incorporar elementos de música-teatro, narração, efeitos e diferentes possibilidades de exploração dos instrumentos.
“A influência de Dimas, no início do grupo, foi super interessante, porque ele trouxe a música-teatro, a música com narração, com onomatopeias. A gente explorava a caixa acústica do violão, tocava o contrabaixo depois do cavalete… É como se fosse uma sonoplastia. Então as composições da gente começaram a ter esse lado meio teatral, meio exótico”, explica Campelo.
Essa característica aparece de maneira especial em “Aspectos de uma Feira”, composição que recria musicalmente diferentes cenas de uma feira livre. A peça começa evocando o amanhecer e passa pela presença da cega Jesuína, que pede esmolas enquanto canta uma melodia dramática, até chegar ao movimento dos feirantes e à energia dos emboladores de coco.
Para construir essa paisagem sonora, Dimas recorria a objetos pouco convencionais. Martelinhos de brinquedo eram usados para representar o burburinho da feira, enquanto um caneco com pequenas argolas reproduzia o som das moedas entregues à personagem que pede esmola.
“No show, vamos perceber a diversidade de timbres que Dimas trabalhava, através destes pequenos elementos sonoros, trazendo outro colorido e representatividade ao SaGrama”, afirma o percussionista Antonio Barreto, integrante da formação original do grupo.
Barreto também teve uma relação profissional com Dimas. Timpanista da Orquestra Sinfônica do Recife e atuante em formações de frevo, o percussionista conheceu o compositor na própria OSR. A aproximação posteriormente se estendeu ao SaGrama, onde Sedícias passou a apresentar composições e ideias aos músicos.
“Aos poucos, a gente começou a receber a visita do Dimas, que se encantou com aquele material orgânico-musical e começou a trazer peças para o grupo”, relata Sérgio Campelo ao escritor Carlos Eduardo Amaral, em um dos capítulos do livro “SaGrama: um álbum por escrito”, publicação independente de 212 páginas lançada recentemente e disponível pelo Instagram @sagramaoficial.
Além das obras relacionadas a Dimas Sedícias, o concerto terá outros momentos dedicados à trajetória do SaGrama. O repertório inclui músicas conhecidas da discografia do grupo, como “Brilhareto” e “Cuscuz”, e ainda apresenta “Samambaia”, de Cláudio Moura. O maxixe foi originalmente composto para banda de música e violão e ganhou uma nova adaptação para o conjunto, incluindo solo de trombone.
A apresentação também contará com a participação de quatro instrumentistas convidadas: a trombonista Neris Rodrigues, a violeira Laís de Assis, a violista Laila Campelo e a sanfoneira Karol Maciel. Além de se juntarem aos integrantes do SaGrama, elas apresentarão composições autorais durante o concerto.
