LEGADO

Concerto do SaGrama celebra legado de Dimas Sedícias no Teatro de Santa Isabel, no Recife

Músicos celebram legado do maestro falecido em 2001, cuja parceria rendeu composições importantes no repertório do grupo

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Apresentação está marcada para esta terça-feira (25)
Apresentação está marcada para esta terça-feira (25) | Crédito: Lucas Emanuel/Divulgação

O grupo SaGrama realiza na próxima terça-feira (25), às 20 horas, no Teatro de Santa Isabel, no bairro de Santo Antônio, no Recife, um concerto dedicado à obra do músico e compositor Dimas Sedícias. A apresentação reúne os dez integrantes do grupo e quatro instrumentistas convidadas, em uma noite que pretende revisitar a contribuição do artista para a construção da sonoridade do SaGrama e para a aproximação entre a música de concerto e as tradições populares de Pernambuco. Os ingressos custam R$ 80 (inteira) e R$ 40(meia-entrada), vendidos pela plataforma Guichê Web.

Embora nunca tenha integrado oficialmente a formação do SaGrama, Dimas Sedícias manteve uma relação próxima com o grupo desde seus primeiros anos e teve participação importante na definição de caminhos musicais que seriam incorporados ao repertório. A parceria começou por volta de 1995, quando o conjunto ainda experimentava combinações de timbres e possibilidades para reinterpretar a música nordestina.

Compositor de obras como “Riacho Encantado” e “Suíte Matuta”, Sedícias também assina peças que se tornaram conhecidas dentro do repertório do SaGrama, entre elas “Papagaio de Papel” e “Aspectos de uma Feira”. O concerto no Santa Isabel será uma oportunidade para recuperar essas criações e destacar os recursos sonoros utilizados pelo músico em suas composições.

A relação entre Dimas e o grupo foi marcada pela experimentação. Segundo Sérgio Campelo, flautista e um dos fundadores do SaGrama, o compositor estimulou os músicos a incorporar elementos de música-teatro, narração, efeitos e diferentes possibilidades de exploração dos instrumentos.

“A influência de Dimas, no início do grupo, foi super interessante, porque ele trouxe a música-teatro, a música com narração, com onomatopeias. A gente explorava a caixa acústica do violão, tocava o contrabaixo depois do cavalete… É como se fosse uma sonoplastia. Então as composições da gente começaram a ter esse lado meio teatral, meio exótico”, explica Campelo.

Essa característica aparece de maneira especial em “Aspectos de uma Feira”, composição que recria musicalmente diferentes cenas de uma feira livre. A peça começa evocando o amanhecer e passa pela presença da cega Jesuína, que pede esmolas enquanto canta uma melodia dramática, até chegar ao movimento dos feirantes e à energia dos emboladores de coco.

Para construir essa paisagem sonora, Dimas recorria a objetos pouco convencionais. Martelinhos de brinquedo eram usados para representar o burburinho da feira, enquanto um caneco com pequenas argolas reproduzia o som das moedas entregues à personagem que pede esmola.

“No show, vamos perceber a diversidade de timbres que Dimas trabalhava, através destes pequenos elementos sonoros, trazendo outro colorido e representatividade ao SaGrama”, afirma o percussionista Antonio Barreto, integrante da formação original do grupo.

Barreto também teve uma relação profissional com Dimas. Timpanista da Orquestra Sinfônica do Recife e atuante em formações de frevo, o percussionista conheceu o compositor na própria OSR. A aproximação posteriormente se estendeu ao SaGrama, onde Sedícias passou a apresentar composições e ideias aos músicos.

“Aos poucos, a gente começou a receber a visita do Dimas, que se encantou com aquele material orgânico-musical e começou a trazer peças para o grupo”, relata Sérgio Campelo ao escritor Carlos Eduardo Amaral, em um dos capítulos do livro “SaGrama: um álbum por escrito”, publicação independente de 212 páginas lançada recentemente e disponível pelo Instagram @‌sagramaoficial.

Além das obras relacionadas a Dimas Sedícias, o concerto terá outros momentos dedicados à trajetória do SaGrama. O repertório inclui músicas conhecidas da discografia do grupo, como “Brilhareto” e “Cuscuz”, e ainda apresenta “Samambaia”, de Cláudio Moura. O maxixe foi originalmente composto para banda de música e violão e ganhou uma nova adaptação para o conjunto, incluindo solo de trombone.

A apresentação também contará com a participação de quatro instrumentistas convidadas: a trombonista Neris Rodrigues, a violeira Laís de Assis, a violista Laila Campelo e a sanfoneira Karol Maciel. Além de se juntarem aos integrantes do SaGrama, elas apresentarão composições autorais durante o concerto.

Editado por: Rostand Tiago

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