Apoiadores em campanha da candidata à deputada estadual pelo PT Jessy Dayane foram agredidos por simpatizantes de extrema direita durante panfletagens em Pirituba e no Ipiranga.
Em Pirituba, na quarta-feira (9), uma apoiadora negra com a camisa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi hostilizada por um influenciador de redes sociais local. De dentro de um carro, enquanto soltava xingamentos misóginos e contra os sem-terra, o agressor gravou a panfletagem na calçada e, em seguida, postou nos seus canais.
A outra agressão aconteceu na estação de metrô Alto do Ipiranga contra um grupo de quatro mulheres e um homem gay. Outro grupo se aproximou, arrancou e amassou os panfletos dos apoiadores da candidata. Os agressores soltaram também vários xingamentos misóginos e homofóbicos, inclusive usando uma frase do ex-presidente Jair Bolsonaro: “Você não serve nem para ser estuprada”.
“Os dois casos explicitam a violência política da extrema direita aqui no Brasil e com muita força aqui no estado de São Paulo. É uma forma de ameaçar, de amedrontar, de fazer com que as pessoas tenham medo de ir para as ruas, tenham medo de defender um projeto político”, disse Jessy Dayane para o Conexão BdF 1ª edição.
“E política não tem nada a ver com racismo. Racismo é crime, assim como violência política”, acrescentou a candidata, que já fez os boletins de ocorrência sobre os dois casos. No caso de Pirituba, a equipe da candidata gravou o vídeo postado, que foi apagado horas depois pelo agressor. No caso do Ipiranga, além das testemunhas, foram solicitadas imagens de câmeras de segurança como prova complementar.
“Isso não pode ficar impune”, enfatiza a candidata. Gracyane observou ainda que, após o crescimento do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas, a violência política aumentou. “Esses ratos começaram a sair do bueiro”.
“Essas figuras da extrema direita legitimam, estimulam e disseminam mensagens de ódio contra as mulheres, contra a população negra, contra a esquerda como um todo, contra aqueles que lutam. Isso é um perigo à democracia, porque a democracia justamente existe para a gente ter liberdade de ideia, de debater projetos, de colocar posições divergentes, e eles pregam a intolerância”.
A candidata adverte que “perder as eleições para a extrema direita em outubro significa viver com essa violência cotidianamente”. Por isso, apesar do medo, Gracyane pede para que a militância continue nas ruas.
“Temos que conversar com a nossa militância de esquerda. A gente tem que ir para a rua. Nós precisamos estar ainda mais nas ruas, que saíamos em grupo, que não andemos sozinhos, mas que não tiremos o pé da rua.”
Para ouvir e assistir
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

