Os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios no Distrito Federal entraram em greve por tempo indeterminado após aprovarem a paralisação em assembleia realizada na noite de quinta-feira (10), em frente ao edifício-sede da empresa, em Brasília. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal (Sintect-DF), o movimento teve início às 22h e integra uma mobilização nacional da categoria.
Antes da votação, a presidenta do Sintect-DF e secretária da Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Amanda Corcino, defendeu a greve e criticou a proposta apresentada à categoria.
“Não vamos entregar o nosso plano de saúde. Não vamos assinar acordo rebaixado que entrega o direito da categoria”, afirmou Corcino antes de colocar em votação a deflagração da greve por tempo indeterminado.
Em vídeo divulgado pelo sindicato, trabalhadores levantam os braços para aprovar a paralisação. Após a aprovação, os trabalhadores também gritaram “os Correios já pararam” e fizeram críticas à direção da empresa.
De acordo com o Sintect-DF, a greve foi aprovada diante do impasse nas negociações e de mudanças que, segundo a organização, representam perdas de direitos históricos da categoria. Entre os pontos questionados estão o pagamento de 70% das férias, o ticket extra e o pagamento de 200% pelo trabalho realizado em dias de repouso.
A situação do plano de saúde dos trabalhadores também está entre as principais preocupações da categoria. O sindicato afirma que uma das medidas em discussão pode retirar dos Correios a condição de mantenedora do plano, o que, na avaliação da entidade, representaria uma perda significativa para os empregados.
Plano de saúde e direitos estão no centro da greve
Nas últimas semanas, o Sintect-DF realizou mobilizações e reuniões com os trabalhadores para discutir as negociações e convocar a categoria para a assembleia que aprovou a greve.

A organização critica o que classifica como retirada de direitos e precarização das condições de trabalho. Além das negociações sobre o acordo coletivo, os trabalhadores denunciam falta de funcionários, fechamento de unidades, transferências forçadas e retirada de adicionais.
Outro ponto de insatisfação é a mudança na jornada de trabalho aos sábados. Segundo o sindicato da categoria, os Correios alteraram unilateralmente o início do expediente para as 13h, comprometendo praticamente todo o dia de descanso dos trabalhadores. A categoria reivindica o retorno ao horário matutino.
Em mobilização realizada antes da assembleia, Amanda Corcino afirmou que a greve também representa uma reação à situação enfrentada pelos trabalhadores nas unidades da empresa, que tem impacto sobre a estrutura dos Correios e a qualidade dos serviços.
“A greve se faz necessária porque a empresa retira cláusulas históricas, atacando principalmente o plano de saúde, e também contra um plano que eu não vou dizer que é de reestruturação, mas de destruição dos Correios, em que fecha mais de mil unidades, reduzindo a capilaridade dos Correios, a nossa competitividade. Também aumenta a sobrecarga dos trabalhadores com mudanças operacionais, que também vêm prejudicando a qualidade dos serviços”, afirma.
Segundo Corcino, a greve é uma mobilização em defesa não apenas dos direitos dos trabalhadores, mas também da manutenção de um serviço público de qualidade.
“É uma greve de resistência, de dignidade, não só pelos nossos direitos, mas por um Correio de qualidade”, afirma.
Correios dizem ter mantido assistência à saúde
Em nota enviada ao Brasil de Fato DF após a deflagração da greve, os Correios afirmaram que estiveram empenhados na construção de uma solução negociada com as entidades sindicais e apresentaram uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente.
Segundo a empresa, a proposta previa reajuste de 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde dos empregados.
A posição apresentada pela empresa diverge das preocupações manifestadas pelo Sintect-DF. Para o sindicato, as mudanças propostas colocam em risco a condição dos Correios como mantenedores do plano de saúde e outros direitos históricos da categoria.
Os Correios também informaram que colocaram em prática um Plano de Continuidade de Negócios diante do anúncio da paralisação. Segundo a empresa, as medidas incluem o remanejamento de equipes, reforço das atividades operacionais e ações logísticas para reduzir os impactos aos clientes e preservar a regularidade das entregas.
A empresa afirmou ainda que mantém o compromisso com a valorização dos empregados e a continuidade da prestação dos serviços postais à população.
Mobilização nacional
A paralisação no Distrito Federal ocorre em meio a uma mobilização nacional dos trabalhadores dos Correios. De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect), 100% dos sindicatos filiados à federação aprovaram a greve geral por tempo indeterminado. “Cansados do descaso da gestão, do desmonte da empresa e do massacre aos nossos direitos, os trabalhadores deram um basta definitivo”, destaca a Fentect em publicação nas redes sociais.
De acordo com a federação, a responsabilidade da paralisação é exclusiva da direção dos Correios e do Governo Federal. “Fecharam as portas para a negociação. A luta é em defesa do serviço público, por condições dignas e pela valorização da nossa categoria”, observa a Fentect.
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