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‘EUA estão decadentes’, mas seguem tentando manter postura imperialista, afirma analista internacional

Ricardo Leães avalia como hegemonia estadunidense tem sido questionada em vários aspectos no mundo

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Presidente Donald Trump em visita à fábrica da GM, em Michigan.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em visita à fábrica da GM, em Michigan | Crédito: Brendan Smialowski/ AFP

Os Estados Unidos afirmaram que estão acompanhando a “crise no Supremo Tribunal Federal (STF)” de perto, indicando mais um elemento de tentativa de interferência na soberania brasileira.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Ricardo Leães, professor e pesquisador de Relações Internacionais, afirma que o atual cenário reflete um processo de decadência estadunidense. “A grande questão é que nós estamos vivendo num contexto de transição hegemônica no mundo. Os Estados Unidos estão decadentes em termos relativos e a China está em ascensão”, pontua.

A reação tem sido de maior agressividade, mas isso não é um ponto fora da curva e expressa o pensamento imperialista. “Há, sim, uma mudança de tática, mas não uma mudança de estratégia”, na postura imperialista desempenhada historicamente pelo país.

“É muito importante falar sobre isso para que a gente não caia na ilusão de que Donald Trump é apenas um raio em um céu claro. Na verdade, não. Ele é apenas a expressão de uma tendência de imperialismo que os Estados Unidos sempre desempenharam na América Latina”, argumenta.

Na geopolítica do Oriente Médio, as tensões no Mar Vermelho escalaram após os avanços do movimento dos Houthis contra a Arábia Saudita e as respostas da Marinha dos EUA. “Os Houthis conseguem enxergar com seus próprios olhos, literalmente, todas as embarcações que passarem por ali [no Estreito de Bab al-Mandab]”, afirma.

Esse bloqueio e os ataques às infraestruturas de petróleo reduziram a produção saudita aos menores níveis desde 1990, configurando uma “derrota estratégica de grandes proporções para a Arábia Saudita”, que não obteve suporte militar direto de Washington ou dos signatários do Acordo de Meca, para conter o grupo.

Com relação ao debate sobre a criação de métodos de pagamento alternativos ao dólar dentro do contexto do Brics, Ricardo Leães adota um tom cauteloso em relação a rupturas imediatas no sistema financeiro. “O Brasil é um país que não apresenta uma força significativa para iniciar um movimento de transição maior nessa seara. E mesmo a China e a Rússia são países que costumam ser muito cautelosos na hora de desafiar os Estados Unidos”, avalia.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rodrigo Gomes

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