luta POR MORADIA

Moradores bloqueiam região da Cidade Estrutural, no DF, por moradia e acesso à água

Em ato nesta sexta-feira (11), integrantes do acampamento Nova Canaã denunciaram violência e derrubada de barracos

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Famílias da região da Estrutural participaram de mobilização com faixas e palavras de ordem em defesa de condições dignas de vida
Famílias da região da Estrutural participaram de mobilização com faixas e palavras de ordem em defesa de condições dignas de vida | Crédito: Cedida ao BdF DF

Moradores do acampamento Nova Canaã, na região da Cidade Estrutural, no Distrito Federal, bloquearam a pista sul da Estrutural na manhã desta sexta-feira (11) para cobrar melhorias de infraestrutura, acesso à água e moradia digna. A manifestação começou por volta das 5h30 e terminou por volta das 7h, segundo uma das participantes.

A mobilização ocorreu em meio às ações de remoção de famílias da região. Segundo moradores ouvidos pelo Brasil de Fato DF, o acampamento reúne diferentes núcleos de ocupação próximos ao antigo aterro sanitário de Santa Luzia. 

Eles afirmam que uma criança morreu por falta de atendimento e abandono após contrair meningite e que barracos foram derrubados em operações realizadas na área. As famílias cobram uma alternativa de moradia por parte do governo do Distrito Federal.

Durante o ato, os manifestantes exibiram faixas com mensagens como “água e moradia não são favores, são direitos”, “pedimos socorro, queremos dignidade” e “o povo tem sede de água e de justiça”. Pneus foram queimados durante o bloqueio, e a ação foi acompanhada por equipes do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) e do Batalhão de Policiamento Rodoviário.

Moradia digna 

Uma das participantes do ato, Jéssica Alves, afirma que os moradores querem que o governo apresente uma proposta para as famílias que vivem na ocupação Nova Canaã. “O que a gente estava protestando é por uma moradia digna. […] Toda vez que o DF Legal chega, ele não vem com nenhum papel, nenhuma ordem judicial pedindo para a gente sair”, afirma Jéssica Alves.

Segundo ela, durante uma das ações, pertences de familiares foram destruídos. Ela relata que a cunhada perdeu documentos, roupas e materiais das crianças após ter os objetos queimados.

“A minha cunhada teve as coisas dela queimadas: documento, material das crianças, roupa. Ela perdeu tudo. O que a gente pretende do governo? A gente pretende que ele olhe para a gente aqui, que venha conversar, que tenha uma proposta para a gente, o que é que ele tem a oferecer”, afirma.

A moradora também relata episódios de confronto entre famílias e agentes de segurança durante as ações na região. “Teve criança que saiu do colo da mãe desmaiada, mulher gestante passando mal por causa de spray de pimenta, bala de borracha. Cadê o respeito que tem com o humano? Cadê o respeito que tem com a população aqui da Santa Luzia?”, questiona Jéssica.

Intermediação

O pastor Ismael Lopes, que acompanha a comunidade e atua na luta por moradia há 15 anos, participou da negociação com os policiais durante a manifestação. Segundo ele, moradores entraram em contato durante a madrugada solicitando sua presença no ato.

Lopes afirma que chegou ao local quando a pista já estava bloqueada e passou a intermediar o diálogo com os agentes para evitar conflitos. Segundo ele, uma das faixas da via foi liberada por volta das 6h10 e o ato continuou por mais alguns minutos.

“A gente conseguiu que a polícia agisse da forma mais pacífica possível. Eu, na negociação, pedi alguns minutos e que a gente abriria. Comecei a conversar com a polícia por volta das 5h30 da manhã. E aí, às 6h, acordei que a gente abriria uma das faixas da pista às 6h10”, relata o pastor.

De acordo com Lopes, o protesto terminou sem agressões ou depredações. Ele afirma ainda que os moradores pretendem levar as denúncias às autoridades. “O ato se encerrou sem ninguém ser agredido, sem nenhum carro ser depredado. A gente conseguiu chamar atenção e passar essa mensagem. Agora, a gente está tentando encaminhar uma representação via Ministério Público Federal por conta de descumprimento de preceitos fundamentais por parte do governo da Celina Leão”, disse.

Os moradores afirmam que pretendem continuar cobrando uma solução para as famílias que vivem no assentamento. Para Jéssica, a ida à Estrutural foi uma forma de chamar atenção para uma situação que, segundo ela, não tem recebido resposta do poder público.

“A gente teve que sair daqui, se deslocar para a via, parar as pessoas que queriam trabalhar, para mostrar que a gente está manifestando por uma coisa nossa. O que a gente está cobrando não é nada que é direito deles, é direito nosso”, afirma.

O outro lado 

O DF Legal informou ao Brasil de Fato DF que não é necessária ordem judicial para realizar operações destinadas a desconstituir parcelamentos irregulares em áreas públicas. Segundo a pasta, o artigo 133 do Código de Obras e Edificações do Distrito Federal prevê a demolição imediata de obras em desenvolvimento em área pública que não sejam passíveis de regularização.

O órgão afirma ainda que realiza operações rotineiras na região desde julho e que não há famílias morando no local. De acordo com o DF Legal, as estruturas encontradas seriam barracos vazios utilizados para demarcação de lotes irregulares e depósito de materiais. A pasta diz que a situação é investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

Segundo o órgão, na operação realizada na quarta-feira (9), foram desconstituídos aproximadamente 500 metros de cercas de madeira e arame, oito lotes irregulares demarcados e 40 edificações precárias. A pasta afirma que as estruturas foram erguidas após uma ação realizada em 27 de agosto, quando cerca de 250 estruturas foram removidas.

O Brasil de Fato DF também procurou o Governo do Distrito Federal e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) sobre as denúncias apresentadas pelos moradores. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.


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Editado por: Clivia Mesquita

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