Transparência

Dino derruba sigilo de investigação da Polícia de SP sobre o filme ‘Dark Horse’

Magistrado afirma que publicidade visa prevenir 'vazamentos seletivos'

No audio source provided.

Decisão de Flávio Dino tem relação com investigação de uma das duas frentes no STF relacionadas ao financiamento do filme 'Dark Horse'
Decisão de Flávio Dino tem relação com investigação de uma das duas frentes no STF relacionadas ao financiamento do filme ‘Dark Horse’ | Crédito: Gustavo Moreno/STF

O ministro Flavio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu retirar o sigilo da investigação do caso “Dark Horse”, que apura o possível desvio de verbas públicas para a produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na prática, Dino determina que o material recebido da Justiça de São Paulo passe a tramitar publicamente. O magistrado afirma que a publicidade visa prevenir “vazamentos seletivos”. Segundo o ministro, “tais vazamentos seletivos quebram a imparcialidade na condução da investigação criminal e do processo penal”.

Dino afirma que está ocorrendo uma “viragem jurisprudencial” no STF em relação à publicidade de investigações. Ele cita decisões anteriores do ministro André Mendonça e do presidente da Corte, o ministro Edson Fachin, que determinaram o levantamento do sigilo de investigações e afirma que pretende seguir essa orientação em nome da colegialidade e da igualdade de tratamento.

O desdobramento envolvendo a produtora Go Up Entertainment Ltda. tem origem em uma investigação estadual em São Paulo sobre o desvio de recursos públicos. A suspeita recai sobre emendas parlamentares e contratos municipais vinculados a aliados do deputado federal Mário Frias (PL-SP), como a empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora.

Deputado Mário Frias no centro da investigação

Os documentos apontam o deputado e produtor executivo do filme “Dark Horse”, Mário Frias, entre os principais nomes mencionados na investigação. Segundo os elementos reproduzidos por Dino, Frias teria transferido valores para a empresa Go Up em montantes considerados incompatíveis com seus rendimentos declarados e com os créditos identificados em suas contas bancárias.

Para a Polícia Federal, conforme descrito no despacho, essas movimentações fariam com que o deputado deixasse de ser visto apenas como autor de emendas parlamentares. A investigação considera a possibilidade de que ele tenha participado de uma suposta organização criminosa formada por agentes públicos e privados e suspeita de direcionar recursos recebidos por meio de emendas para empresas contratadas de maneira irregular e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.

Dino afirma que, “no terreno hipotético da investigação”, o parlamentar ocuparia um papel de liderança na suposta estrutura criminosa.

Na última quinta-feira (10), Frias e Gama foram alvo da Operação Make Up, realizada pela PF com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). A operação investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.

Segundo a investigação, R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas por Mário Frias teriam sido encaminhados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e posteriormente utilizados no financiamento do filme “Dark Horse”. A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo STF, em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

STF passa a concentrar investigação

Na decisão, o ministro também sustenta que, diante da possível participação de um deputado federal, cabe ao STF avaliar a competência para conduzir a investigação. Por isso, determinou a remessa do material produzido pela Justiça paulista para a Corte.

A decisão também determina que a Polícia Federal receba o material apreendido pela Polícia Civil durante operações realizadas em junho. Isso inclui os dados extraídos de celulares e outros equipamentos, além dos próprios aparelhos, computadores e documentos.

Ao todo, mais de 5 mil documentos tiveram o sigilo derrubado. A investigação é uma das duas frentes no STF relacionadas ao financiamento da cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. A parte de Dino mira o possível uso irregular de emendas parlamentares. O outro inquérito sobre a obra está sob relatoria do ministro André Mendonça.

Editado por: Monyse Ravena

|

Newsletter