O Irã negou, nesta segunda-feira (14), qualquer participação no conflito que opõe os houthis às forças do governo do Iêmen e à Arábia Saudita. Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, afirmou que o grupo aliado de Teerã é “totalmente independente”.
“O Irã não interfere nos assuntos iemenitas”, disse Baqaei, rejeitando a ideia de que Teerã estaria dirigindo a ofensiva que os houthis têm promovido em território saudita nas últimas semanas. Baqaei lembrou que o grupo “toma suas decisões em função de seus próprios interesses”.
Enquanto isso, os houthins confirmaram um ataque à Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, com foco em instalações e infraestrutura militar. A Defesa Civil saudita emitiu alertas de perigo em quatro cidades ao sul do país.
Na coletiva desta segunda-feira (14), Baqaei confirmou que o governo da Arábia Saudita pediu o cancelamento da reunião que teria como participantes o Irã e as potências do Golfo. O encontro serviria para apresentar o entendimento de Omã sobre a regulamentação das rotas marítimas pelo Estreito de Ormuz, e seria realizado em Salalah, no sul de Omã. Baqaei também protestou contra a decisão da Áustria de impedir o chefe do setor nuclear iraniano, Mohamad Eslami, de participar da conferência anual da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), em Viena.
Segundo o porta-voz, a decisão é “totalmente injustificável”, atribuindo a responsabilidade aos Estados Unidos. “É evidente para todos nós que este incidente aconteceu devido às pressões dos Estados Unidos, mas isso não exonera o governo austríaco de toda responsabilidade”, afirmou.
O próprio representante estadunidense na Aiea, Preston Wells Griffith, confirmou ao plenário da conferência que Washington se opôs ao pedido de isenção de sanções apresentado por Viena para liberar a entrada de Eslami.
Também nesta segunda-feira (14), os preços do petróleo dispararam depois que a Arábia Saudita interrompeu, na sexta-feira (11), as operações do oleoduto Leste-Oeste, atingido por drones em uma série de ataques a instalações petrolíferas. A rota é de máxima importância estratégica, uma vez que permite escoar o petróleo saudita sem depender da passagem por Ormuz.
Riad paralisou a infraestrutura como medida de proteção, em razão de um ataque lançado a partir do Iraque. O governo saudita não divulgou a extensão dos danos nem prazo para retomar a operação. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsabilizou o Irã pelos ataques, mas não apresentou provas. O país persa não respondeu às acusações de Washington.

