“Sem dúvida, a Rússia apoia as aspirações de Cuba de se somar ao trabalho no âmbito dos Brics”, afirmou nesta segunda-feira (14) o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
As declarações foram feitas durante sua coletiva de imprensa diária, ao comentar os resultados da 18ª Cúpula dos Brics, realizada durante o fim de semana em Nova Délhi. Peskov, no entanto, esclareceu que, durante o encontro, “não foram discutidas especificamente candidaturas de países para a ampliação” do bloco.
Em janeiro de 2025, durante a presidência rotativa da Rússia, Cuba foi incorporada aos Brics como país parceiro, uma condição que permite integrar economias do Sul Global em projetos de cooperação econômica, comercial e financeira, sem implicar uma adesão plena imediata.
Atualmente, os Brics são formados por 11 membros plenos e 10 países parceiros, entre os quais Bolívia e Cuba são os dois únicos países latino-americanos.
Em um contexto no qual a ilha caribenha sofre constantes agressões por parte dos Estados Unidos, Havana busca que sua presença nos Brics permita facilitar mecanismos de pagamento alternativos aos controlados pelos Estados Unidos, além de promover acordos de comércio bilateral e investimentos, em meio à grave asfixia energética e ao bloqueio imposto pelo governo estadunidense.
A possibilidade de Cuba ingressar no bloco como membro pleno, com o respaldo da Rússia, ampliaria as possibilidades da ilha caribenha de enfrentar os desafios atuais.
A declaração final dos Brics apoia Cuba
Na declaração final da cúpula, os países-membros do bloco expressaram sua “profunda preocupação” com a situação em Cuba e com os efeitos do recrudescimento do bloqueio dos Estados Unidos sobre a economia cubana, os suprimentos de energia e as condições humanitárias da população.
O documento, composto por 140 pontos, incluiu uma referência específica a Cuba e reiterou a necessidade de pôr fim às medidas econômicas, comerciais e financeiras aplicadas contra a ilha.
Da mesma forma, os Brics expressaram sua rejeição às listas unilaterais elaboradas à margem da Organização das Nações Unidas e, em particular, à inclusão arbitrária de países na lista estadunidense de “Estados Patrocinadores do Terrorismo”, na qual Cuba figura.
A declaração apontou que essas designações aprofundam as dificuldades financeiras e dificultam as transferências bancárias, agravando a situação socioeconômica dos países afetados.
O documento também reafirmou que a América Latina e o Caribe devem ser considerados uma zona de paz, baseada no respeito mútuo, na solução pacífica das controvérsias e no princípio da não intervenção.
Bruno Rodríguez denuncia o bloqueio
Após a cúpula, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, voltou a denunciar o bloqueio dos Estados Unidos por meio de suas redes sociais. O ministro afirmou que a declaração dos Brics reconhece as medidas da política hostil de Washington e “seus efeitos adversos sobre a economia cubana, os suprimentos de energia e o preocupante impacto” humanitário sobre a população.
Durante sua intervenção na cúpula, Rodríguez voltou a classificar o bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba como um “castigo coletivo” contra o povo cubano e afirmou que essa política foi intensificada a níveis sem precedentes.
O chanceler afirmou que seus efeitos indiscriminados e humanitários provocam profundo sofrimento entre as famílias cubanas e sustentou que o bloqueio constitui o instrumento escolhido pelos Estados Unidos para tentar promover uma “mudança de regime” na ilha.

