Uma sessão plenária no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15) analisa a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes após revelação de supostas mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro. Dois ministros, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, declararam-se impedidos de participar do julgamento. Marques se retirou do plenário no início da sessão.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Paulo Roberto de Souza destaca o caráter político do julgamento, comenta as falas contundentes de Flávio Dino e Gilmar Mendes na primeira parte da sessão e avalia que, até agora, o julgamento deixou de ser sobre Moraes e passou a ser sobre como André Mendonça agiu. “Há um indício de que essas provas trazidas por Mendonça sejam anuladas”, aponta.
Na avaliação de Souza, o julgamento para investigação não vai prosperar. Contudo, semelhante ao que aconteceu na Lava Jato, o discurso contra Moraes já foi consolidado. “Depois da anulação das provas [na Lava Jato], conseguiu-se sedimentar um discurso de que Lula não foi provado inocente, o julgamento que foi anulado. A culpabilidade pública de Moraes já aconteceu”, analisa.
Para ele, independentemente do resultado tanto do julgamento desta terça quanto de uma eventual investigação, já há uma mancha na trajetória de Moraes. “A crítica e o aumento da desconfiança em cima de Alexandre de Moraes, sem dúvida, devem aumentar”, ressalta.
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