Os trabalhadores da Caixa Econômica Federal realizam uma caminhada pelo Centro de Porto Alegre nesta quarta-feira (16), para cobrar avanços nas negociações e uma nova proposta para a categoria, em greve desde quinta-feira (10). Convocada pelo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), a mobilização terá concentração às 10h, em frente ao Edifício Querência, sede da Caixa no RS, na Praça da Alfândega.
A caminhada está prevista para percorrer as principais vias do Centro e retornar à praça, onde será servido um almoço aos grevistas. O ato ocorrerá no mesmo horário da nova rodada de negociações entre a Caixa e representantes dos trabalhadores, marcada para as 10h, em São Paulo.
A mobilização na capital gaúcha integra a greve nacional por tempo indeterminado, iniciada após os trabalhadores rejeitarem a proposta do banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico, que define direitos e condições de trabalho na empresa. O Saúde Caixa, plano de saúde dos trabalhadores, está entre os principais impasses. Segundo o sindicato, a paralisação segue até que uma nova proposta seja apresentada e aprovada em assembleias.
“A Caixa precisa avançar nas negociações, atender às reivindicações da categoria e apresentar uma proposta decente, principalmente com relação ao Saúde Caixa”, afirma o SindBancários, em nota.
Na segunda-feira (14), centenas de trabalhadores deram um abraço simbólico no Edifício Querência, em defesa do banco público e por uma proposta melhor. Gerentes-gerais também assinaram um documento destinado à direção da Caixa, cobrando respeito e diálogo e manifestando apoio aos trabalhadores.
Pressão nacional leva à retomada das negociações
A caminhada nesta quarta-feira ocorre após a Caixa concordar em reabrir as negociações. Segundo o SindBancários, o banco havia anunciado que sua proposta era final e ameaçado retirar o texto e levar o impasse à Justiça do Trabalho por meio de um dissídio coletivo. No domingo (13), porém, respondeu a um ofício da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e aceitou voltar à mesa.
A Caixa também anunciou a suspensão das medidas administrativas previstas anteriormente e informou que buscaria manter os benefícios nas condições anteriores a 31 de agosto de 2026 até o fim das negociações. Para Sergio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), a retomada representa uma vitória da mobilização, pois a empresa “agora reconhece a importância do diálogo com as entidades representativas”.
A pressão também se expressa em atos em outras regiões do país. Em Brasília, trabalhadores realizaram, na segunda-feira (14), o ‘Sepultamento simbólico da gestão de pessoas da Caixa’, para denunciar a falta de diálogo e cobrar valorização.
Saúde Caixa está no centro das reivindicações
Os trabalhadores reivindicam o fim do limite de 6,5% da folha salarial para a contribuição da Caixa ao plano de saúde. Também defendem a retomada do modelo em que o banco paga 70% das despesas e os trabalhadores, 30%, além da garantia de permanência no plano após a aposentadoria para quem ingressou na empresa depois de 2018.
A categoria cobra ainda a preservação da solidariedade e do mutualismo, princípios que permitem compartilhar custos e riscos entre os participantes, e do pacto intergeracional, que mantém essa divisão entre diferentes gerações. Melhorias na gestão, na rede de profissionais e serviços credenciados e no atendimento aos beneficiários também estão entre as demandas.
Segundo o SindBancários, as propostas apresentadas pela Caixa não atendem às reivindicações e aumentam os custos para os trabalhadores, com critérios como a cobrança por idade.
“O movimento sindical defende que a conta não pode continuar sendo transferida para quem trabalha no banco. A Caixa tem responsabilidade com seus empregados e precisa garantir um plano de saúde sustentável, acessível e de qualidade”, afirma a entidade.
Mais contratações e condições de trabalho
Além do plano de saúde, os trabalhadores cobram correções nos programas de remuneração variável, como o Super Caixa, avanços no plano de carreira e funções, remuneração adequada e mais contratações. O sindicato relaciona a falta de pessoal à sobrecarga nas unidades e denuncia pressão por metas, cobrança excessiva, assédio e adoecimento. Também cobra medidas para impedir que a busca por resultados prejudique a saúde dos trabalhadores.
“Os empregados estão nas agências, nos setores administrativos e em todas as áreas do banco garantindo atendimento à população, operacionalizando políticas públicas e fazendo a Caixa funcionar”, destaca o SindBancários.
Durante a greve, o piquete central da categoria em Porto Alegre acontece diariamente na Praça da Alfândega, em frente ao Edifício Querência.

