O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino pediu vistas do caso que estava sendo julgado no plenário da Corte em sessão nesta terça-feira (15), sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes, por suposto vínculo com o banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão, portanto, foi encerrada pelo presidente Edson Fachin.
Mais cedo, o ministro Gilmar Mendes havia colocado em plenário uma questão de ordem para ser votada, pedindo que os casos de Moraes e André Mendonça pudessem ser unificados na sessão do próximo dia 23 de setembro, já que se trataria do mesmo contexto. Sobre isso, o placar foi de 4 x 4, prevalecendo a decisão do presidente, que é a de não juntar os casos.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Cláudio Gonçalves Couto afirma que a sessão foi marcada por hostilidades e ataques diretos, em especial entre os ministros Gilmar Mendes e Mendonça. “Vimos as tripas do STF expostas”, avalia. “Há uma Corte completamente esgarçada do ponto de vista da relação entre seus membros, uma liderança muito tímida de Fachin, que não tem um pulso para conduzir esse enfrentamento, para controlar esse tipo de situação. É um momento muito degradante do STF”, observa.
Couto destaca que “a respeitabilidade e a legitimidade do STF são muito comprometidas em um cenário dessa natureza” por condutas de seus próprios membros. Ele destaca que o que acontece neste momento com o Supremo é de “extrema gravidade e compromete a própria democracia”. “O comprometimento de Mendonça com o processo político, essa partidarização da sua conduta ficou muito clara”, continua.
O ministro Kassio Nunes Marques, que foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seria um importante aliado de Mendonça, declarou suspeição no início da sessão e deixou o plenário, usando como justificativa o fato de ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Contudo, essa decisão ocorreu no mesmo dia em que novos vazamentos envolvendo Vorcaro mostram supostamente uma conversa de cobrança de pagamento dos serviços de uma garota de programa que, por intermédio do banqueiro, teria atendido o ministro.
Para Cláudio Couto, o cenário todo é bastante comprometedor. Ele lembra que, no Brasil, quem preside a Justiça Eleitoral é necessariamente um ministro do STF. “Lança-se de novo mais uma dúvida em meio a uma série de mentiras que foram plantadas pela própria ultradireita. Vale lembrar que foi o próprio bolsonarismo que colocou Kassio Nunes Marques no Supremo. Esse que estará dirigindo a Justiça Eleitoral nas eleições foi colocado pelo bolsonarismo. Todas as dúvidas vêm daí. Mendonça foi também colocado pelo bolsonarismo e tem tido um comportamento muito suspeito nesse caso que afeta o cenário eleitoral”, avalia.
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Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

